O Ibovespa (IBOV) subiu 1,09%, aos 128.508 pontos, um ganho de mais de 1,3 mil pontos, nesta sexta-feira (3). Foi a segunda semana seguida positiva para o índice, com 1,57%. Enquanto grande parte do Brasil está de olho em Copacabana, para o espetáculo final da Celebration Tour de Madonna, onde cerca de 1,5 milhão de pessoas devem se reunir neste sábado, a expectativa das bolsas mundiais vinha de outra praia: o payroll de abril nos EUA, que acabou celebrando um resultado bastante positivo para as pretensões futuras dos negócios, com uma geração de emprego bastante abaixo do esperado, de acordo com informações do portal InfoMoney.
Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad, destaca que os salários cresceram 3,9% em termos anuais, patamar próximo do que vinha ocorrendo nos últimos meses. “Diferente do mês passado, o relatório de emprego de abril trouxe dados que ficaram abaixo das expectativas, sinalizando que, apesar de permanecer apertado, o mercado de trabalho pode estar desacelerando de forma mais visível nos EUA”, disse.
Rafaela Vitoria, economista-chefe do banco Inter, escreveu que os dados de emprego dos EUA significam que um corte de 0,50 ponto percentual pelo BC “continua na mesa”, embora probabilidades implícitas em contratos futuros de juros calculem cerca de 80% de chance de redução de apenas 0,25 ponto. O Banco Central se reunirá na semana que vem para definir a política monetária.
Mas há quem pregue cautela. “Para aqueles que buscam um corte nas taxas, esta desaceleração no crescimento da folha de pagamento é uma boa notícia, e o número mais fraco do crescimento salarial torna-a uma notícia ainda melhor”, disse Olu Sonola, chefe de pesquisa econômica dos EUA da Fitch Rating, em um comunicado reproduzido pela CNN Internacional. “No entanto, um mês não cria uma tendência, então o Fed provavelmente precisará de alguns meses desse tipo de moderação, com melhores números de inflação, para colocar os cortes nas taxas em prática”.
Cada passo de uma vez. E hoje o mercado claramente ciente das cautelas inseridas no processo, pôde celebrar. Os principais índices em Nova York subiram com amplitude (acima de 1%), os Treasuries recuaram com consistência e o dólar comercial aqui no Brasil acompanhou o movimento da moeda mundo afora e desceu 0,85% frente ao real, para fechar valendo R$ 5,06, menor valor desde 11 de abril. Entretanto, a cautela ainda é prudente, segundo analistas.
“Este é o relatório de empregos que o Fed teria elaborado”, brincou à CNBC Seema Shah, estrategista-chefe global da Principal Asset Management. “A primeira surpresa para baixo nas folhas de pagamento em vários meses, bem como a queda no crescimento médio dos rendimentos por hora, trazem de volta ao mercado o diálogo sobre corte de taxas e talvez explique por que Powell foi capaz de ter um discurso mais calmo na quarta-feira (quando anunciou a manutenção das taxas de juros)”.

