Haddad não se ilude com desemprego em queda e avalia ‘espaço generoso’ para corte de juros

    O ministro da Fazenda pontuou que seria preciso reduzir a taxa em 5 pontos porcentuais

    Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

    Pressionando para um corte de juros de 0,5 ponto porcentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou nesta sexta-feira (28), preocupação com a desaceleração da atividade econômica. Apesar da taxa de desemprego na mínima para um segundo trimestre desde 2014, Haddad alerta não se ‘iludir’ com atual cenário.

    “Saiu o dado do desemprego em queda, mas nós não devemos nos iludir com isso. Os ventos estão favoráveis, o mundo está olhando o Brasil com outros olhos, com outra percepção. Mas está mais do que na hora de alinharmos a política fiscal e monetária para o Brasil votar a sonhar com dias melhores”, declarou o titular da Fazenda, em entrevista a jornalistas, após duas reuniões, no gabinete do ministério na Avenida Paulista.

    Haddad pontuou que seria preciso reduzir a taxa em 5 pontos porcentuais, o que significa baixas de 0,5 ponto porcentual em cada uma das próximas dez reuniões do Copom, mas lembrou que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ainda vai participar de 12 reuniões do colegiado até o fim de seu mandato, em dezembro do ano que vem e que mesmo nesse ritmo, a política monetária seguiria com o freio de mão puxado.

    “Isso porque a Selic continuaria acima da taxa neutra na saída do atual presidente do BC. Dá para ele ficar muito à vontade”, frisou.

    “Temos um espaço generoso para aproveitar, mas quem vai definir é o Banco Central”, acrescentou. Os dois diretores indicados pelo governo ao BC — Gabriel Galípolo e Ailton Aquino, ambos já empossados — levarão ao Copom nas próximas terça e quarta-feira os melhores subsídios para uma tomada de decisão robusta, continuou Haddad.

    Reforçando a sua preocupação com a desaceleração econômica na margem, ainda que um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) superior a 2% neste ano esteja “contratado”, o ministro sustentou que a arrecadação não está correspondendo nas três esferas de governo: União, Estados e municípios.

    “Temos que retomar a economia tanto no plano federal quanto no plano subnacional. Estados e municípios também mandam recados ao governo federal de que as coisas precisam ser revertidas porque a economia está desacelerando”, afirmou. “E, como estamos com 10% de juro real e inflação projetada na meta, temos realmente espaço para fazer a diferença na política monetária”, concluiu.