Greves no funcionalismo público provocam perdas bilionárias a empresas

    Setor de petróleo e gás já acumula uma perda de R$ 2,2 bi

    Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

    As paralisações de trabalhadores no setor público vem impactando no erário das empresas, a exemplo do setor de petróleo e gás, que já acumula uma perda de R$ 2,2 bi. Atualmente, há pelo menos 15 categorias de funcionalismo atualmente com movimentos em torno de reivindicações.

    Sem renovações e novas licenças de instalação e operação das autoridades ambientais há mais de 120 dias, o setor de petróleo e gás contabiliza perdas de cerca de R$ 2,250 bilhões, segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP). O presidente da entidade, Roberto Ardenghy, alega que as empresas da área vêm deixando de produzir 40 mil barris de petróleo diariamente por conta da operação do Ibama, impactando nos negócios e na balança comercial, assim como no PIB.

    “Uma das nossas associadas teve de devolver uma sonda que veio do exterior porque estava sem licença de produção e demitiu 20 funcionários, já que o equipamento só poderá voltar daqui a um ano”, diz Ardenghy ao jornal O Estado de S.Paulo. “O processo só se agrava à medida que o tempo passa porque as empresas são obrigadas a postergar decisões de investimentos”.

    Além do impacto nas atividades, a área também está afetando as pesquisas feitas por universidades públicas devido ao atraso. Por lei, as empresas de óleo e gás têm de investir 1% do lucro bruto em desenvolvimento de novas tecnologias, o equivalente a US$ 2 bilhões anuais, que chegam a 148 universidades.

    Outras atividades, como mineração e energia também têm sido afetadas pela paralisação de atividades de campo do Ibama. Segundo a Ascema Nacional (Associação Nacional dos Servidores Especialistas em Meio Ambiente), o número de licenças concedidas, que somou 180 no primeiro quadrimestre do ano passado, está em 69 no mesmo período de 2024. Apenas no setor elétrico, foram afetados quatro processos de termoelétricas que somam 5.970 MW de capacidade e 3 eólicas que somam 934,8 MW, entre outros.