Após Motta estabelecer prazo, Governo estuda forma de adiar revisão do IOF para 2026, diz jornal

    Na avaliação do governo, não existe margem fiscal ou tempo hábil suficiente para substituit a arrecadação esperada ainda em 2025

    Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

    O governo Federal está estudando alternativas para preservar o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) neste ano e negociar alternativas apenas em 2026. Na reunião entre membros do governo e lideranças do Congresso, ministros informaram que não existe margem fiscal ou tempo hábil suficiente para substituir a arrecadação esperada ainda em 2025. As informações são do jornal Folha de São Paulo.

    Segundo matéria do InfoMoney, a equipe econômica do governo avalia que qualquer nova proposta de compensação fiscal teria efeitos apenas a partir do próximo exercício (e ano eleitoral). A estratégia foi debatida durante a reunião entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na quarta-feira (28).

    Na ocasião, Haddad reiterou que não há alternativa viável no curto prazo e que o funcionamento da máquina pública ficaria comprometido sem os R$ 20,5 bilhões projetados com a elevação do imposto, de acordo com a reportagem.

    “Expliquei as consequências em caso de não aceitação da medida, o que acarretaria em termos de contingenciamento adicional. Nós ficaremos num patamar bastante delicado do ponto de vista do funcionamento da máquina pública do Estado brasileiro”, afirmou Haddad a jornalistas após a reunião.

    Já nesta quinta-feira (29), Motta confirmou o teor das conversas e adotou um tom mais incisivo afirmando que estabeleceu um prazo de 10 dias para que o Executivo apresente um plano alternativo.

    “Combinamos que a equipe econômica tem 10 dias para apresentar um plano alternativo ao aumento do IOF. Algo que seja duradouro, consistente e que evite as gambiarras tributárias só para aumentar a arrecadação”, escreveu o presidente da Câmara em uma publicação na rede social X.

    De acordo com a Folha, o governo articula, nos bastidores, uma forma de ganhar tempo, apostando que o 11º Forúm Parlamentar do Brics roube o destaque como pauta principal da próxima semana, impedindo assim o avanço das propostas de revogação do IOF. Aliados de Lula avaliam que a alta no índice pode ser mantida por mais seis meses, até a aprovação de medidas estruturantes. A principal seria a revisão de isenções fiscais, que já conta com apoio de setores da Câmara.

    O governo deve apresentar sua proposta até o final da próxima semana. Caso contrário, o risco de um ‘shutdown’ da máquina pública, já aventado por Haddad e Randolfe, volta a ganhar força.