Ufba critica ‘política com pandemia’ e diz que ocupa 5 andares de hospital

    TRF-1 determinou suspensão da instalação de leitos Covid-19 no Hospital Salvador, onde funciona maternidade da Ufba

    Foto: Reprodução/Ufba

    A Universidade Federal da Bahia (Ufba) reagiu ao parecer da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) sobre o funcionamento da Maternidade Climério de Oliveira (MCO) e leitos de atendimento Covid-19 no Hospital Salvador. Em nota, a instituição de ensino afirmou que ocupa cinco dos oito andares da unidade de saúde desde setembro de 2017, e não um, como diz o relatório da pasta estadual.

    As instalações da maternidade, no bairro de Nazaré, estão em obras. A previsão é que as intervenções sejam finalizadas em agosto deste ano.

    O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) determinou na última quarta-feira (1º) a suspensão da instalação dos leitos Covid-19 no Hospital Salvador, após recurso interposto pela universidade. Na sexta (3), a Sesab divulgou nota afirmando que não há incompatibilidade técnica para o funcionamento da maternidade e de 20 leitos de terapia intensiva para pacientes do novo coronavírus.

    O secretário Fábio Vilas-Boas chegou a afirmar que a posição do reitor da Ufba, João Carlos Salles, é equivocada e contrária à necessidade da população e do SUS. A crítica foi feita também pelo prefeito ACM Neto e pelo secretário de Saúde de Salvador, Leo Prates. Em seu perfil no Twitter, o titular da SMS questionou por que a Ufba não quer ajudar.

    “Ocorre que o Hospital Salvador, a pedido da Prefeitura Municipal de Salvador, disponibilizou dois andares à instalação de enfermarias e leitos de UTI voltados para o atendimento a pacientes acometidos de infecção pelo novo coronavírus. A medida é de todo imprópria e perigosa para a saúde de gestantes, puérperas e recém-nascidos, além do corpo técnico da maternidade, já que, de acordo com pareceres técnicos solicitados pela MCO e pela Ebserh, o hospital não oferece nenhuma condição de isolamento entre as alas, obrigando o compartilhamento de espaços comuns nas instalações da unidade”, disse a universidade em nota.

    De acordo com a Ufba, a maternidade ocupa 52 leitos do Hospital Salvador, sendo 11 de UTI Neonatal e Unidade de Cuidados Intermediários Convencionais; 6 leitos de Unidade de Cuidados Intermediários Canguru; 23 leitos de alojamento conjunto, que atende mulheres e bebês; 4 leitos de isolamento; e 8 leitos de pré-parto. Segundo a instituição, a UTI Neonatal ficaria no mesmo andar da UTI Covid-19 que a prefeitura quer instalar.

    Ainda em nota, a Ufba afirmou que não tem justificativas para a agressão à universidade ou ao reitor João Carlos Salles, já que a instituição tem atuado na defesa da vida e da população e sempre esteve aberta ao diálogo com a prefeitura.

    “Inaceitável e lamentável, portanto, é pretender tratar pacientes vítimas de Covid-19 no mesmo espaço que abriga gestantes, mães e bebês recém-nascidos, que ficariam perigosamente expostos à contaminação pelo coronavírus”, argumentou a universidade.

    A Ufba também criticou a situação. “[…] não se trocam vidas por vidas e [a Ufba] jamais fará política com a pandemia”, acrescentou.

    De acordo com dados disponibilizados pela Secretaria Municipal de Saúde, Salvador tem hoje 82% de leitos de UTI adulto ocupados e 26% de leitos de UTI pediátrica. Quanto aos leitos clínicos, a taxa de ocupação é de 73% adulto e 37% pediátrico. No geral, a taxa de ocupação dos leitos é 76%.

    A capital baiana já registrou 36.434 casos do novo coronavírus. O total de óbitos chegou a 1.234.