Cadê a turminha da carta pela democracia?, cobra Bolsonaro sobre operação contra empresários

    O presidente ainda criticou a operação e fez um alerta sobre o risco do “outro lado” sair vitorioso

    Foto: Alan Santos/PR

    O presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou nesta quarta-feira (24) a operação envolvendo empresários e cobrou os responsáveis pela carta da democracia a se manifestarem sobre a situação.

    “Somos ainda um país livre. E eu pergunto a vocês: O que aconteceu no tocante aos empresários agora? Esses oito empresários. Eu tenho contato com dois deles. Luciano Hang e o Meyer Nigri. Cadê aquela turminha da carta pela democracia?”, declarou o presidente em discurso a prefeitos e líderes evangélicos em Minas Gerais.

    O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) autorizou, na última terça, a Polícia Federal realizar busca e apreensão contra empresários bolsonaristas que estariam defendendo um golpe de Estado caso Bolsonaro não vença a eleição.

    Bolsonaro disse que os responsáveis pela Carta pela Democracia deveriam se manifestar sobre o caso. O documento, assinado por mais de um milhão de pessoas, foi divulgado oficialmente pela Faculdade de Direito da USP no último dia 11.

    O presidente também ressaltou que, a depender do resultado das eleições deste ano, o Brasil pode “perder a democracia” e fez um alerta sobre o risco do “outro lado” sair vitorioso.

    “A gente vê para onde o Brasil estava indo até 2018. Estava fadado a virar uma Venezuela, o país mais rico do mundo em petróleo e que seu povo vive uma pobreza maior que a dos haitianos. O que está em jogo agora nessas eleições? Perder uma eleição em uma democracia é natural, faz parte da regra do jogo, mas não podemos perder uma democracia na eleição. Nós sabemos o que esse outro lado fez ao longo desses 14 anos, onde eles colocaram o Brasil. Sabemos o que fizeram no tocante aos costumes”, pontuou.

    Caso

    A PF realizou, nesta terça-feira (23), uma operação de busca e apreensão contra oito empresários que teriam defendido um golpe de Estado no Brasil caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vença as eleições de outubro.

    Os mandados, autorizados pelo STF, foram cumpridos em dez endereços distribuídos entre os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Ceará.

    O ministro do STF, Alexandre de Moraes, também determinou a quebra de sigilo bancário e oitiva dos empresários, além do bloqueio das contas nas redes sociais.

    Entre os alvos da Polícia Federal:

    • Afrânio Barreira Filho, do grupo Coco Bambu;
    • Ivan Wrobel, proprietário da construtora W3;
    • José Isaac Peres, sócio-fundador da Multiplan;
    • José Koury, proprietário do Barra World Shopping;
    • Luciano Hang, das lojas Havan;
    • Luiz André Tissot, do grupo Sierra
    • Marco Aurélio Raymundo (Morongo); das lojas Mormaii;
    • Meyer Joseph Nigri, da Tecnisa