Cosme Bispo, 38 anos, recebeu alta do Hospital Ana Nery (HAN) na tarde desta sexta-feira (18) após ser submetido ao primeiro transplante cardíaco realizado na Bahia desde 2009. O procedimento, que foi realizado no mesmo hospital no dia 27 de novembro deste ano, faz parte de uma nova política de estímulo à doação de órgãos da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), buscando ampliar o número de transplantes na Bahia.
“Infelizmente, a Bahia figura entre os estados que menos transplantam no País. É um compromisso do governador estimular a doação e os transplantes”, afirmou o Secretário de Saúde Fábio Vilas-Boas. O procedimento foi realizado no HAN pela primeira vez e com sucesso, como ressaltou o diretor-geral Luis Carlos Passos.
De acordo com ele, a expectativa é realizar entre dez e 20 transplantes de coração por ano, considerando que o hospital possui toda a estrutura para procedimentos dessa natureza, uma vez que já faz transplantes de rins.
Recuperação – Cosme Bispo comemora a realização de atividades simples do dia a dia, como tomar um banho, que antes demandava a ajuda de alguém. “Eu estava tão mal, que até deitado eu sentia cansaço”. Segundo ele, os seus dias eram marcados por constantes idas e vindas às emergências das unidades de saúde e o transplante era a única opção. Para o coordenador clínico do serviço de transplantes, André Durães, o paciente evoluiu “muito bem, dentro do período previsto para cirurgias dessa natureza”.
Números – Na Bahia, existem unidades hospitalares e equipes autorizadas para realizar transplantes de rim, fígado, coração, pulmão, córnea, medula óssea e osso, mas o quantitativo de transplantes ainda está muito aquém da necessidade. Este ano, entre os meses de janeiro e novembro, foram feitos 508 transplantes, incluindo um transplante cardíaco, o primeiro realizado em hospital público, marcando também a retomada desse tipo de transplante no Estado – na década de 90 foram realizados seis transplantes cardíacos no estado, entre 1991 e 1992, no Hospital Português. Dezesseis anos depois, em 2008, no Hospital Santa Isabel, houve a retomada do transplante cardíaco, e, na mesma unidade, feito o último procedimento no estado, em 2009.
Na Bahia, de cada 100 potenciais doadores, o diagnóstico de morte encefálica só é realizado em dez pacientes. Destes, os órgãos de apenas três são transplantados, muitos deles em outros estados. “Temos o desafio de reduzir a subnotificação do diagnóstico de morte encefálica e reduzir a negativa familiar à doação, que na Bahia alcança 70%, sobretudo, por falta de conhecimento sobre o processo e por questões religiosas, além de ampliar o doador efetivo e o número de transplantes.
De janeiro a novembro de 2015:
Fila de espera
Fígado – 42
Rim – 573
Córnea – 1.189
Transplantes realizados
Fígado – 28
Rim – 54
Rim intervivos – 20
Córnea – 357
Esclera – 60
Coração – 1
Pulmão – 1
Medula – 40

