Comissão de Erradicação do Trabalho Escravo define estratégias após resgate de baianos no RS

    Ações incluem encaminhamento dos trabalhadores às cidades de origem, avaliação de necessidades de saúde e moradia, além de inserção no mercado de trabalho

    Foto: Ascom / SJDH

    Coordenada pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), a Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae-BA) se reuniu nesta terça-feira (28), com o objetivo de dar continuidade às tratativas do caso dos 196 trabalhadores baianos resgatados de situação análoga à escravidão em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.

    Após resgate, a força-tarefa deu início às ações de articulação, que incluem o encaminhamento dos trabalhadores para suas cidades de origem (Salvador, Serrinha e região, Lauro de Freitas e Feira de Santana); triagem para avaliação das necessidades de saúde e condições de moradia; além de viabilização da reinserção em programas sociais e no mercado de trabalho.

    “Esse caso tem nos feito pensar, no âmbito da SJDH, o lugar da nossa ação nesta pauta de trabalho escravo. Reiterar nosso compromisso e disposição em fortalecer cada vez mais a agenda de enfrentamento a essa violação de direitos humanos é uma agenda prioritária e urgente. Estamos aqui, hoje, justamente para relatar e discutir ponto a ponto dessa temática, tomando como norte esse último resgate feito no Rio Grande do Sul”, afirmou o titular de Direitos Humanos, Felipe Freitas, durante a reunião.

    Oitiva
    Após a reunião da força tarefa, foi realizada uma oitiva com três trabalhadores. “De acordo com o relato dos trabalhadores, eles teriam sido submetidos a jornadas exaustivas, recebiam comida imprópria para consumo, só podiam comprar produtos em um único estabelecimento, com desconto salarial e preços elevados, e eram mantidos vinculados ao trabalho por supostas ‘dívidas’ contraídas com o empregador. Alguns deles foram enviados ao RS através de um ônibus clandestino que partiu da rodoviária de Feira de Santana”, relatou Liane Durão, auditora fiscal do Trabalho e coordenadora de Combate ao Trabalho Escravo do MTE.