O encontro que ocorre nesta quarta-feira (27) entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o prefeito Bruno Reis (União Brasil) já deveria ter acontecido desde janeiro de 2023. Os dois maiores líderes políticos da Bahia têm muitas pendências a resolver acerca de Salvador: segurança, educação, saúde e, sobretudo, transporte público.
Mesmo que tardiamente, é bom que Bruno e Jerônimo tenham sido maduros para sentar em uma mesma mesa e debater os temas de interesse da cidade. Na frente da imprensa, apertaram as mãos, sorriram e trocaram amenidades. “Queremos resolver os problemas de Salvador”, disseram, mais ou menos com essas palavras.
Dentro da sala de reuniões, a portas fechadas, a população que eles tenham chegado a acordos para resolver os gargalos da Saúde na cidade, que precisa de mais policlínicas e de mais unidades de atenção básica. Se governo e prefeitura derem as mãos, essas questões podem ser solucionadas mais rapidamente.
Também é preciso ter um acordo para que a transição entre o Ensino Fundamental I, de responsabilidade da prefeitura, e o Fundamental II, sob controle do governo, seja realizada de forma mais harmônica. Hoje, os jovens pulam do município para o Estado sem o preparo adequado.
Ainda na Educação, o governo do Estado precisa de mais terrenos para instalar suas novas escolas de tempo integral, um modelo que requer muita área de construção, coisa cada vez mais rara em Salvador. É a prefeitura quem pode ajudar nisso.
Já ficou claro, pelo pouco que Jerônimo e Bruno falaram à imprensa, que as gestões já se entenderam quanto à segurança pública. A prefeitura e o governo vão unir seu sistema de câmeras, aumentando a cobertura visual em Salvador e permitindo, assim, que as polícias tenham mais meios de fiscalização e investigação.
Mas o setor em que a cooperação Município-Estado mais pode funcionar é o transporte público. Já passou da hora dos sistemas de ônibus e de metrô serem 100% integrados, cobrindo todos os bairros e comunidade de Salvador, com qualidade e com conforto, sem o aperto diário nos horários de pico.
Quem sabe, dessa forma, o governo enfim inaugure o Terminal Rodoviário de Campinas de Pirajá, pronto há meses, mas sem funcionar porque a prefeitura não destina linhas de ônibus para passar por lá.
E não para por aí. São muitas as questões a resolver e a cooperação pode contribuir mais do que a briga. O objetivo precisa ser melhorar a vida das pessoas, e não apenas ganhar a próxima eleição.

