OPINIÃO: Eleição na Bahia será novamente polarizada entre petismo e carlismo

    Terceira via não tem força suficiente para influenciar decisivamente no debate público

    Foto: Mateus Pereira/GOVBA e Gilberto Jr./Divulgação

    Saiu a primeira pesquisa Quaest (registro nº BA-03657/2026 no TSE) com as principais chapas majoritárias já definidas. O empate técnico registrado pelo levantamento confirma aquilo que já se anunciava há alguns meses: uma disputa equilibrada entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), maior nome da oposição no estado.

    Neto aparece com ligeira vantagem numérica, com 41%, enquanto Jerônimo surge com 37%. Diz-se empate técnico porque, na margem de erro de 3 pontos percentuais (para mais ou para menos), o oposicionista pode variar entre 38% e 44% das intenções de voto, enquanto o petista flutua entre 34% e 40%. A intersecção entre os números de ambos os candidatos configura, estatisticamente, um cenário empatado, indefinido.

    Levando os dados da Quaest para os votos válidos, ACM Neto teria 51,9%, contra 46,8% de Jerônimo e 1,3% de Ronaldo Mansur (PSOL), resultado que daria vitória ao União Brasil no primeiro turno. A margem de erro de 3 pontos, porém, se mantém nessa conta, determinando empate técnico entre os dois pré-candidatos.

    A pouca relevância eleitoral da terceira via psolista tende a se manter até o fim da campanha, garantindo mais uma disputa concentrada entre as duas principais forças políticas da Bahia durante a Nova República: petistas versus carlistas.

    O fato de 74% dos entrevistados ainda não responderem ninguém na pergunta espontânea (13% foram de Jerônimo e 13% de Neto), quando não são apresentados os nomes dos pré-candidatos, mostra que a disputa entre petismo e carlismo segue totalmente aberta.

    O PT ainda é muito forte nos interiores da Bahia, sobretudo nos menores municípios. Nesses locais, marcados por um catolicismo popular e pela dependência econômica de verbas estaduais e federais, Jerônimo garante sua aprovação e deve manter a grande vantagem que foi conquistada lá em 2022.

    Já ACM Neto tem em Salvador e nas maiores cidades do estado a sua principal força. O trabalho de recuperação da capital realizado por seu grupo político desde 2013 e a maior presença evangélica nos municípios grandes fazem com que o oposicionista tenha uma vitória quase certa nos municípios grandes da Bahia, que desejam uma mudança mais profunda.

    Diante desse equilíbrio, a definição vai ficar mesmo para detalhes da campanha. O quanto Jerônimo vai conseguir se vincular ao atual presidente da República (47% do eleitorado quer votar em um aliado de Lula)? O quanto Neto vai conseguir pautar temas delicados (Segurança e Saúde são as maiores preocupações do eleitor)? Quem executar melhor sua estratégia sairá vencedor.