Polícia mata pelo menos nove pessoas por dia no Brasil

    O total de policiais vítimas de homicídios em serviço e fora do horário do expediente também é elevado no país

    Manifestação contra a violência policial em São Paulo. Foto: Oswaldo Corneti/ Fotos Públicas

    A polícia brasileira matou, pelo menos, nove pessoas por dia em 2015. No acúmulo, o total foi de 3.345 pessoas no ano, ou uma taxa de 1,6 morte a cada grupo de 100 mil pessoas. Os números constam do 10º Anuário de Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ONG que reúne especialistas do setor, com base em dados de 2015.

    O relatório, que teve seus dados divulgados nesta sexta-feira (28), evidencia que, ao combater violência com violência, o Estado brasileiro colabora com o aumento dos índices já recordistas de homicídios.

    São Paulo foi o estado com o maior número de pessoas mortas por policiais em 2015: 848. As maiores taxas de letalidade policial registradas no último ano foram nos estados do Amapá (5 para cada grupo de 100 mil pessoas), Rio de Janeiro (3,9) e de Alagoas (2,9). Considerando-se os números absolutos, São Paulo e o Rio de Janeiro concentram sozinhos 1.493 mortes decorrentes de intervenções policiais, ou 45% do total registrado no país.

    A taxa brasileira de letalidade policial de 1,6 supera a de países como Honduras, que tem 1,2, e África do Sul, com 1,1. “Isso demonstra um padrão de atuação que precisa ser revisto urgentemente. Esse padrão faz com que você tenha [no Brasil] o número de pessoas mortas por intervenção policial como o mais alto do mundo. Nossa taxa de letalidade policial é maior do que a de Honduras, que é considerado o país mais violento em termos proporcionais, em termos de taxa, do mundo”, diz o diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima.

    Policiais – O total de policiais vítimas de homicídios em serviço e fora do horário do expediente também é elevado no Brasil. Em 2015, foram mortos 393 policiais, 16 a menos do que no ano anterior. Proporcionalmente, os policiais brasileiros são três vezes mais assassinados fora do horário de trabalho do que no serviço: foram 103 mortos durante o expediente (crescimento de 30,4% em relação a 2014) e 290 fora (queda de 12,1% em relação a 2014), geralmente em situações de reação a roubo (latrocínio).

    O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que está em sua 10ª edição, será lançado no dia 3 de novembro pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.