Às vésperas do segundo leilão do antigo Centro de Convenções da Bahia, marcado para esta segunda-feira (20), o vereador de Salvador Cláudio Tinoco (União Brasil) voltou a criticar a condução do governo estadual em relação ao imóvel. Segundo o parlamentar, as ruínas do equipamento simbolizam o abandono do patrimônio público durante as gestões do PT.
O antigo Centro de Convenções, localizado na orla da Boca do Rio, foi desativado após problemas estruturais e, desde então, permanece sem utilização. O governo estadual tenta alienar a área, considerada uma das mais valorizadas da capital baiana.
Na avaliação de Tinoco, a deterioração do imóvel é resultado da ausência de manutenção ao longo dos últimos anos.
“Eles deixaram o Centro de Convenções desabar e, durante mais de uma década, entregaram esse patrimônio aos vândalos. Hoje, o que resta é um trambolho que não dialoga mais com a cidade e que simboliza a falta de compromisso com o patrimônio público dos baianos”, afirmou.
Condições do leilão
O vereador também questionou as condições previstas no edital do leilão. Segundo ele, a área foi avaliada em R$ 138 milhões e parte dos recursos obtidos com a venda, equivalente a 35% do valor arrecadado, será destinada ao Município de Salvador, proprietário de parcela do terreno. Tinoco afirma que esse repasse ocorrerá sem autorização prévia da Câmara Municipal.
O edital prevê ainda que o futuro comprador deverá realizar a demolição das estruturas remanescentes e a limpeza da área, com investimento mínimo estimado em R$ 57 milhões, em prazo que varia de oito a 16 meses.
Tinoco afirmou que, desde a desativação do equipamento, defende a discussão de alternativas para o uso do espaço. Entre as propostas apresentadas pelo vereador estão a implantação de um centro olímpico e de treinamento esportivo para jovens e a realização de um debate público sobre a ocupação da área.
O parlamentar também citou sua participação nas discussões do primeiro edital de venda. Segundo ele, audiências públicas contribuíram para a exclusão de aproximadamente 71 mil metros quadrados de Área de Proteção Permanente (APP) do terreno inicialmente previsto para alienação, preservando diretrizes estabelecidas pelo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e pela Lei de Ordenamento do Uso e da Ocupação do Solo (Louos).
Ao defender que o futuro da área seja discutido com a sociedade, Tinoco afirmou que o entorno do antigo Centro de Convenções sofre há anos com os efeitos da degradação do imóvel.
“Os moradores convivem há anos com uma área abandonada, marcada pela insegurança e pela degradação. Os baianos não podem esquecer que esse cenário é consequência de duas décadas de descaso com um patrimônio que poderia estar gerando desenvolvimento, turismo e oportunidades para a cidade”, concluiu.

