Jaques Wagner tentou vender propriedade de R$ 15,8 milhões após operação da PF

    Investigação da Polícia Federal apura possível recebimento de propina do Banco Master pelo senador

    Foto: Rafael Nunes / Divulgação

    O senador Jaques Wagner (PT) tentou vender um terreno de R$ 15,8 milhões um dia após ter sido alvo da operação da Polícia Federal (PF) por suspeita de recebimento de propina do Banco Master. As informações são do Estadão.

    De acordo com o jornal, a transmissão da propriedade foi barrada pelo cartório de registro de imóveis, que recebeu um bloqueio de bens assinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. 

    Questionado sobre a tentativa da transação, a defesa de Jaques Wagner afirmou que o senador não irá se manifestar “sobre condutas que não sejam sobre sua campanha eleitoral”. 

    “A defesa do senador Jaques Wagner esclarece que ele não se manifestará sobre condutas que não sejam sobre sua campanha eleitoral. Todos os demais assuntos estão e continuarão sendo tratados judicialmente. Todos os fatos apurados são públicos e com registros públicos. Não há mínima irregularidade e nem nada a esconder”, informou o advogado Pablo Domingues. 

    O petista havia acertado a venda de um segundo apartamento. O imóvel, localizado em Salvador, é avaliado em R$ 10 milhões. A transação foi protocolada uma semana antes da operação da PF. 

    Com a determinação de André Mendonça, a tratativa também foi bloqueada. Mesmo com a ordem de indisponibilidade dos imóveis, estima-se que Jaques Wagner tenha recebido, ao menos, R$ 12 milhões pelos negócios.

    Defesa diz que negociação começou antes da investigação

    Em nota enviada à imprensa, a defesa do senador Jaques Wagner (PT) afirmou que a venda do imóvel não tem relação com a investigação da Polícia Federal e que a negociação foi iniciada antes da operação.

    Segundo os advogados, a transação teve início em 2024 e foi formalizada em 2025 pelo City Football Group. O acordo previa a permuta do terreno por lotes de um empreendimento imobiliário, além do pagamento antecipado de R$ 2 milhões, quantia que, conforme a defesa, foi declarada à Receita Federal e teve o imposto sobre ganho de capital recolhido por meio de DARF, pago em 30 de junho de 2025.

    Ainda de acordo com o comunicado, a escritura pública foi lavrada em maio de 2026, preservando a natureza da operação como uma permuta, e toda a documentação comprobatória estaria disponível para demonstrar a regularidade do negócio.