As mulheres brasileiras podem colaborar com o desenvolvimento de uma ferramenta digital chamada Eu Decido, disponibilizada nos formatos site e app, voltada ao apoio e acolhimento de mulheres em situação de violência por parceiro íntimo (VPI). O diferencial da ferramenta é dar ênfase ao planejamento de segurança, ou seja, apontar meios para que cada mulher possa ampliar a sua segurança diante de ameaças físicas ou psicológicas por parte de seu parceiro ou parceira íntima.
A proposta foi idealizada a partir de experiências exitosas em países como Estados Unidos e Quênia (myplanapp.org), Austrália (i-Decide), Canadá (myplanapp.ca) e Nova Zelândia (isafe.aut.ac.nz). No Brasil, a proposta está sendo desenvolvida desde 2018 e visa a adequação da tecnologia, de forma participativa, a partir da colaboração e validação de mulheres de todas as regiões do país, inclusive por aquelas atendidas em Casas da Mulher Brasileira.
O projeto é desenvolvido no Departamento de Saúde Coletiva, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Integram a equipe docentes e estudantes das áreas de saúde coletiva, serviço social, psicologia, comunicação, tecnologia da informação e direitos humanos, contando também com pesquisadores de diversas regiões do Brasil, bem como de instituições no exterior. Com apoio do CNPq e do Ministério da Saúde, desde 2024, as/os pesquisadoras/es dialogam com usuárias e profissionais que atuam em diferentes unidades da Casa da Mulher Brasileira e também no Sistema Único de Saúde (SUS).
Em 2026 (Fase 2), o foco do projeto é no trabalho de disseminação científica e de captação e retenção de participantes, que estão sendo convidadas a testar a plataforma por três vezes, durante o período de seis meses.
Essa ação de captação se dá por meio dos meios de divulgação do projeto: Instagram (@eudecidoufpr) e Youtube (@ProjetoEuDecido) e do convite direto por meio de ações em algumas Casas da Mulher Brasileira e de ações de divulgação presencial, em parceria com as redes intersetoriais locais, em cidades como Matinhos, Paranaguá e Curitiba, no estado do Paraná.
Até o momento, mais de 200 mulheres completaram a primeira etapa da pesquisa, sendo que mais de 660 já se cadastraram na plataforma. A meta da equipe é atrair o cadastro de mil mulheres neste ano.
“O uso dessa plataforma comprovou ajudar as mulheres a tomarem decisões mais seguras, tanto para se protegerem em seus relacionamentos quanto para planejarem uma possível ruptura de forma segura”, afirmou o coordenador do projeto, professor doutor Marcos Claudio Signorelli.
Para ele, ao promover a disseminação do conhecimento e o diálogo entre universidade e sociedade, o projeto de pesquisa, já no seu desenvolvimento, contribui para a prevenção das violências de gênero, o fortalecimento da autonomia das mulheres e a construção de uma cultura baseada na equidade, nos direitos humanos e na promoção da saúde.
“O projeto vem ampliando o acesso às informações sobre prevenção e enfrentamento da VPI, de forma a informar as mulheres dentro e fora da academia, para que se amplie uma cultura de prevenção e menos barreiras na busca de apoio e de ajuda institucional”, finaliza o coordenador da pesquisa.

