Deputado do PT cobra explicações de ACM Neto após aliado virar alvo de operação da PF

    Manifestação ocorre após Canella se tornar alvo da sexta fase da Operação Unha e Carne

    Foto: Gabriela Araújo/Bahia.ba

    O deputado estadual Ângelo Almeida (PT) criticou nesta quarta-feira (8) a participação do presidente do União Brasil no Rio de Janeiro, Márcio Canella, em um evento sobre segurança pública promovido pela Fundação Índigo, ligada ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). A manifestação ocorre após Canella se tornar alvo da sexta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro.

    Segundo a Polícia Federal, a organização investigada teria utilizado uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para movimentar recursos de origem ilícita. A investigação aponta que o grupo pode ter movimentado mais de R$ 7,6 bilhões e apura a eventual participação de agentes públicos.

    Em nota, Ângelo Almeida afirmou que ACM Neto deve esclarecer os critérios adotados para convidar Canella a participar de um evento voltado à discussão de políticas de segurança pública.

    “Como ACM Neto explica convidar uma pessoa envolvida em um noticiário dessa gravidade para tratar justamente de segurança pública? Quais foram os critérios?”, questionou o parlamentar.

    O deputado lembrou que, durante o evento promovido pela Fundação Índigo, Canella foi apresentado como referência na área de segurança em razão de sua atuação como ex-prefeito de Belford Roxo. Segundo Almeida, ACM Neto também elogiou a experiência do aliado ao classificá-la como “transformadora” durante o lançamento de um MBA promovido pela instituição.

    Para o petista, a investigação envolvendo Canella contrasta com o discurso adotado por ACM Neto sobre o combate ao crime organizado.

    “É fácil fazer discurso duro contra o crime organizado. Difícil é explicar por que, na hora de montar uma vitrine nacional sobre segurança, o seu grupo político leva para o centro do palco alguém que agora aparece no centro de uma operação da Polícia Federal”, afirmou.

    Márcio Canella é investigado no âmbito da Operação Unha e Carne. Até o momento, não houve decisão judicial que atribua culpa ao dirigente partidário, e o caso segue em apuração pela Polícia Federal.