Iniciamos a Copa do Mundo com o jogo mais difícil da fase de grupos. Sofremos bastante, expusemos todas as nossas deficiências e, ainda assim, não saímos derrotados diante de um Marrocos no seu auge histórico de futebol e confiança. Não tem desespero. Mas há alertas importantíssimos e, se ignorarmos os sinais, fracassaremos retumbantemente.
O primeiro alerta é que Marrocos engoliu, durante a maior parte do primeiro tempo, na base da intensidade, o nosso meio-campo. E isso ocorre porque ele está esvaziado. Com e sem a bola, vivemos em inferioridade numérica nesse setor. É a primeira mudança que precisa ser realizada.
Jogar com apenas três homens não vai funcionar para o Brasil, especialmente se um deles for Lucas Paquetá. Extremamente técnico, o meia do Flamengo foi o construtor de um dos melhores lances do Brasil no jogo de ontem: deu um chapéu num marroquino, passou a bola e se apresentou na área para, de voleio, obrigar o goleirão a espalmar para o lado. Mas, sem a bola, ele ajuda pouco.
O segundo alerta está na recomposição para que o Brasil forme, no mínimo, um 4-4-2 para se defender dos adversários. Isso não está ocorrendo porque, além de Paquetá não recompor na velocidade necessária, Vinícius Júnior não se sente obrigado a retornar hora alguma.
Sabemos que Vini foi o melhor brasileiro na partida, mas é outro que ajuda pouco sem a bola. Por diversas vezes, nosso ponta esquerda abdicou de recompor naquele lado, expondo Douglas Santos e Gabriel Magalhães ao lado mais forte de Marrocos, liderado por Hakimi. Como resolver?
Bom, eu começaria respeitando uma das principais mensagens do campo ontem: trocaria Casemiro, que saiu no intervalo com um cartão amarelo, por Fabinho, que foi bem com e sem a bola no segundo tempo. Isso reforça a segurança do Brasil no meio-campo e favorece que a equipe sustente pressões, saindo jogando com tranquilidade para a fase ofensiva.
O segundo passo é que eu abriria mão de Bruno Guimarães (que não aparenta estar fisicamente 100% após se recuperar de uma lesão muscular na coxa) para colocar Danilo Santos. O atleta do Botafogo, natural de Salvador, está mais inteiro e tem conseguido executar melhor a função área-a-área que se espera nesse setor.
O terceiro é que, já que Vini não recompõe, e é mesmo bom poupá-lo para entregar velocidade nas saídas pela esquerda, por qual motivo não voltar à ideia inicial, retirando Igor Thiago e indo de Matheus Cunha? No Manchester United, o camisa 9 da Seleção é meia e recompõe muito bem. Com a bola, ele também pode baixar para o meio e ajudar na construção, dando superioridade numérica na intermediária ofensiva.
Por fim, eu atenderia ao pedido maior da torcida brasileira no momento: colocaria Endrick no lugar de Raphinha. O camisa 11 do Brasil não tem conseguido repetir as atuações que tem pelo Barcelona, enquanto a jovem promessa do Real Madrid é um atleta aguerrido, corajoso, iluminado e mais capaz de ajudar defensivamente.
Nesse contexto, sem a bola, Vini e Paquetá podem ficar mais à frente, sem a necessidade de recompor o jogo todo. Endrick e Cunha fariam a linha de 4 jogadores no meio junto com Fabinho e Danilo Santos. Com a bola, Vini abriria pela direita, Endrick pela esquerda, enquanto Paquetá e Cunha revezariam entre a armação e a função de falso 9.
A hora de fazer esses testes é agora, na primeira fase da competição. O Haiti, adversário da próxima sexta-feira (19), é teoricamente o mais frágil no grupo. Lembro o exemplo da Argentina em 2022: derrotada na primeira rodada pela Arábia Saudita, teve coragem e fez mudanças no que estava estabelecido, terminando por ganhar a Copa. Que tenhamos a mesma ousadia e, enfim, a mesma sorte.
Escalação sugerida: Alisson, Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Fabinho, Danilo Santos, Paquetá e Matheus Cunha; Vinícius Júnior e Endrick.

