A possibilidade de greve dos rodoviários do transporte público de Salvador foi comentada nesta sexta-feira (15) pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil), durante o lançamento do Programa IngreSSAr 2026, realizado no Auditório Makota Valdina, no bairro do Comércio.
Representantes do Sindicato dos Rodoviários da Bahia participam nesta sexta de uma reunião com a Associação das Empresas de Transporte de Salvador (Integra), mediada pela Superintendência Regional do Trabalho. O encontro busca evitar a paralisação da categoria.
Durante a conversa com jornalistas, o prefeito defendeu o diálogo entre trabalhadores e empresários. “Após a publicação do edital da greve por parte dos rodoviários, muito provavelmente os empresários vão entrar com um dissídio coletivo e aí vai caber a Justiça do Trabalho, a mediação e, caso não haja acordo, por último, o julgamento do percentual que é justo e que possa de um lado contemplar os trabalhadores e do outro que seja possível que os patrões possam honrar os compromissos”, disse.
Segundo Bruno Reis, a situação financeira das empresas de transporte é delicada. “Para vocês terem ideia, essa semana nós nos reunimos e eles apresentaram os balanços deles. A situação a partir de julho é periclitante. A alta do diesel representa R$ 6 milhões a mais de impacto na operação mês do transporte público e a gente não vê por parte do governo uma palavra, uma sinalização para a redução do ICMS do óleo diesel”, pontuou.
O prefeito também criticou o Governo da Bahia por não reduzir o imposto sobre o combustível. “[não reduziu] Um por cento se quer do óleo diesel para o transporte. Todos os outros estados dão esse benefício, esse incentivo fiscal. Então o ICMS da Bahia, além de ser o mais alto do Brasil, 20,5%, também para o transporte público não tem qualquer estímulo. E a situação é crítica”, criticou.
Ainda segundo o gestor, outros fatores podem agravar o cenário do transporte público. “Nesse momento a gente pede a todos que tenham bom senso, sem se falar do que está por aqui, que é a redução da escala para 5×2, que vai agravar ainda mais a situação do transporte público. Então, esses dois fatos específicos, um que já está ocorrendo por conta da guerra do Irã e outro por conta da redução da jornada vão agravar ainda mais, vão tornar a operação do transporte público ainda mais deficitária e as prefeituras do Brasil não têm condições de pagar essa compra”, completou.
Por fim, o prefeito disse esperar um entendimento entre as partes para evitar a paralisação. “Eu peço que trabalhadores e patrões cheguem ao atendimento para evitar a greve, que só faz piorar ainda mais a situação, porque perde receita e no final do mês tem salários que irão ser pagos, FGTS que serão recolhidos, tem uma série de compromissos que a prefeitura que já vem completando para cada passageiro transportado de R$ 0,56 não agrave ainda mais essa situação porque também nós temos as nossas limitações orçamentárias e financeiras”, concluiu.

