A CAIXA Cultural Salvador realiza, neste sábado (2), uma programação especial da exposição “Hoje é de vez em quando”, do artista mineiro Fábio Baroli.
A atividade inclui uma visita mediada às 15h e, em seguida, um bate-papo às 16h, com a presença do artista e do curador Agnaldo Farias. Durante o evento, também haverá distribuição gratuita dos catálogos da mostra.
Com entrada gratuita e acessibilidade garantida, tanto a visita quanto o bate-papo contarão com intérprete de Libras, ampliando o acesso do público. A iniciativa integra a reta final da exposição na capital baiana, que segue em cartaz até o dia 10 de maio. Desde a abertura, em março, mais de 2.250 pessoas já visitaram a mostra, incluindo mais de 200 estudantes em excursões escolares.
A programação propõe aprofundar a experiência do público por meio da mediação e do diálogo com o artista e o curador, oferecendo a oportunidade de compreender processos criativos, referências e questões presentes na exposição. A distribuição dos catálogos permite que os visitantes levem consigo um registro da mostra, prolongando a reflexão para além do espaço expositivo.
“Depois que as obras já foram vistas, atravessadas por diferentes olhares, o encontro proporcionará novas interlocuções e sentidos, por meio do compartilhamento de ideias, processos, memórias, questionamentos e escolhas. Ao mesmo tempo, poderemos dialogar com as percepções e apontamentos trazidos pelo público de maneira mútua. Normalmente, esses encontros revelam camadas do trabalho de forma surpreendente para ambos”, afirma Fábio Baroli.
Para o artista, o catálogo funciona como um desdobramento da exposição. “Ele não substitui a experiência ao vivo, mas a valida e prolonga. É uma forma de manter vivas as obras e os pensamentos que atravessaram a mostra, possibilitando revisitar imagens e reler ideias”, comenta.
Reunindo 35 obras entre pinturas e instalações, a exposição propõe uma reflexão sensível sobre o tempo no mundo contemporâneo. Ao tensionar a ideia de linearidade, o trabalho de Baroli convida o visitante a desacelerar o olhar e a se reconectar com memórias, afetos e modos de vida rurais que resistem ao ritmo acelerado da atualidade.
“Fábio Baroli é um artista fora do comum. Além da temática, ele desenvolveu uma técnica de pintura própria, o que é raro. A discussão que propõe confronta o processo de homogeneização da globalização e valoriza as diferenças, destacando um Brasil rural que merece ser visto e respeitado”, avalia Agnaldo Farias.
Sobre o artista
Nascido em Uberaba (MG), Fábio Baroli é um artista cuja obra é marcada pela memória da infância no interior e pelas transformações sociais e urbanas do Cerrado. Formado em Artes Visuais pela Universidade de Brasília (UnB), desenvolveu no Rio de Janeiro uma produção centrada na memória pessoal como forma de refletir sobre o presente e o futuro.
Sua obra articula pintura e instalação, com técnica refinada, paleta sóbria e referências a mestres como Édouard Manet e Diego Velázquez, incorporando colagem e fragmentação para discutir os impactos do mundo contemporâneo. O artista volta seu olhar para um Brasil cotidiano e pouco visível, marcado por modos de vida ameaçados, saberes populares e comunidades tradicionais.

