ONU alerta intensificação das ações militares em Gaza

    Secretário-geral cobra acesso humanitário irrestrito, libertação de reféns e responsabilização por violações do direito internacional

    Foto: UN Photo/Evan Schneider

    O secretário-geral da ONU, António Guterres, renovou nesta quinta-feira (28) seus apelos por um cessar-fogo imediato e permanente em Gaza, além de exigir acesso humanitário irrestrito e a libertação imediata e incondicional de todos os reféns.

    Guterres denunciou a fome que assola civis palestinos e advertiu que a escassez de alimentos “jamais deve ser usada como método de guerra”. Segundo ele, é hora de acabar com “desculpas, obstáculos e mentiras” que impedem a chegada de ajuda e a proteção da população.

    Nova e perigosa fase do conflito

    O secretário-geral afirmou que a intenção de Israel de “ocupar a Cidade de Gaza” marca uma nova e perigosa fase, com expansão das operações militares e consequências devastadoras. Ele alertou que centenas de milhares de civis, já exaustos e traumatizados, podem ser forçados a fugir novamente, expondo suas famílias a riscos ainda maiores.

    Guterres ressaltou a necessidade de responsabilização pelos ataques sucessivos desta semana ao Hospital Nasser, em Khan Younis, que mataram civis, profissionais de saúde e jornalistas. Para ele, esses episódios “fazem parte de um catálogo interminável de horrores”.

    Escombros, corpos e violações

    O líder da ONU descreveu Gaza como uma região “coberta de escombros, corpos e graves violações do direito internacional”. Dirigindo-se ao Hamas, exigiu a libertação imediata dos reféns e o fim do tratamento desumano imposto a eles.

    Guterres enfatizou que os civis devem ser protegidos diante de “níveis de morte e destruição sem paralelo nos últimos tempos”. Ele lembrou que a fome extrema, o deslocamento forçado e o colapso de serviços básicos como alimentação, água e saúde atingem inclusive mulheres grávidas, resultado de decisões deliberadas que desafiam os princípios da humanidade.