Érica Marti: A primeira candidata assumidamente lésbica no Miss Eco Brasil

    Em entrevista ao bahia.ba, ela fala sobre representatividade, desafios e inclusão

    Foto: Arquivo Pessoal

    Érica Marti fez história ao se tornar a primeira mulher assumidamente lésbica a representar o Mato Grosso Brasil no Miss ECO Brasil 2025. Com 16 anos, ela deixou a casa dos pais e foi morar sozinha fora do país para seguir seu sonho de trabalhar com moda. Desde então, sua trajetória tem sido marcada por coragem, autenticidade e determinação. Em entrevista exclusiva ao bahia.ba, Érica compartilhou o que significa para ela carregar essa responsabilidade e como lida com as altas expectativas que tem para garantir o título.

    “Ser a primeira mulher lésbica no Miss Brasil é um marco que me enche de orgulho, mas também de responsabilidade. Eu carrego não só minha história, mas as histórias e lutas de muitas mulheres que nunca se viram nesse espaço”, disse a Miss. Para ela, as expectativas não são um peso, mas um combustível para quebrar barreiras e mostrar que o papel de Miss vai além da estética: “É sobre autenticidade, representatividade e coragem de ocupar lugares antes impensáveis”.

    Acolhimento no Miss Eco Brasil

    No Miss Eco Brasil, Érica encontrou um ambiente de acolhimento e liberdade para ser quem realmente é. A competição, que promove a sustentabilidade e a inclusão, abraçou a diversidade, permitindo que ela se expressasse como mulher, lésbica e líder. “Foi transformador. No Miss Eco Brasil, não precisei esconder quem eu sou. Fui encorajada a trazer toda a minha verdade para o palco”, destacou. Ela acredita que concursos de beleza devem ser espaços onde a diversidade seja celebrada, e não apenas tolerada.

     

    Foto: Arquivo Pessoal

     

    Orgulho em Liderar: Impacto e Inclusão

    Além de sua carreira no Miss Brasil, Érica é idealizadora do projeto Orgulho em Liderar, que conecta jovens LGBTQIAP+ ao mercado de trabalho e promove inclusão em ambientes de poder. Ela explica que o projeto surgiu a partir de uma inquietação pessoal: “Por que tantos jovens LGBTQIAP+ não se sentem preparados ou estimulados a ocupar posições de liderança?” A iniciativa visa criar uma plataforma de apoio e oportunidades, onde os jovens possam se fortalecer e se destacar no mercado profissional.

    “Eu ocupei posições de liderança muito jovem e, para mim, ser mentora de jovens que buscam esse caminho é algo gratificante. Eles precisam de uma rede de apoio, uma vitrine de oportunidades, e é isso que o Orgulho em Liderar oferece”, completou Érica.

    O Novo Perfil de Miss: Voz Ativa e Inclusiva

    Érica é defensora de um novo perfil de Miss, que vai além da beleza física e abraça causas sociais e ambientais. Ela acredita que os concursos de beleza precisam evoluir para refletir as mudanças sociais e as demandas da sociedade atual. “Hoje, não faz sentido premiar apenas a beleza estética. Precisamos valorizar histórias de vida, impacto social e posicionamento diante de grandes questões”, afirmou.

    Para ela, a inclusão deve ser um caminho inevitável, e os concursos precisam abrir espaço para diferentes corpos, idades, orientações e trajetórias. “O público quer se reconhecer em quem está no palco, e isso só é possível quando há diversidade.”

     

    Foto: Arquivo Pessoal

     

    Sustentabilidade e Inclusão: Uma Conexão Urgente

    Quando o assunto é sustentabilidade, Érica Marti vê uma conexão direta com a inclusão. Para ela, não há como pensar em um futuro sustentável sem sociedades justas e diversas. Ela ressalta que as vozes LGBTQIAP+ têm muito a contribuir com o debate ambiental, trazendo perspectivas inovadoras e experiências que podem enriquecer as soluções para os desafios ambientais do planeta.

    “Incluir as vozes LGBTQIAP+ não é só uma questão de representatividade, é uma estratégia para construir um mundo mais equilibrado, onde todos possam coexistir em harmonia com a natureza”, finalizou Érica.