General chama de ‘cafezinho’ reunião com Anderson Torres sobre acampamento no QG

    Dutra afirmou que mobilização estava esvaziada dois dias antes dos atos golpistas de 8 de janeiro

    Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

    O general Gustavo Henrique Dutra de Menezes, ex-chefe do Comando Militar do Planalto, classificou como um “cafezinho” a reunião que teve com o então secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, sobre o acampamento montado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília. Segundo ele, no dia 6 de janeiro de 2023, dois dias antes dos ataques golpistas à Praça dos Três Poderes, o acampamento já estava esvaziado.

    Dutra prestou depoimento nesta sexta-feira (30) como testemunha de defesa de Anderson Torres, no processo que investiga uma suposta trama golpista para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O general não compareceu ao depoimento marcado para quarta-feira (28) e antecipou sua ida ao STF, inicialmente prevista para segunda-feira (2).

    Ao ser questionado pela defesa de Torres, Dutra afirmou que o encontro teve caráter de apresentação, uma vez que o secretário havia acabado de assumir o cargo. Ele relatou que informou Torres sobre a presença de cerca de 200 pessoas em situação de rua no acampamento e apresentou fotografias para comprovar a situação.

    “Participei de um cafezinho de cortesia com Anderson Torres no dia 6, às 10h. Foi um encontro para nos conhecermos. Levei também a secretária de Desenvolvimento Social do DF, Ana Paula Marra, para tratar da situação das pessoas em vulnerabilidade. Mostrei que o acampamento estava bem esvaziado e que havia pessoas em situação de rua”, disse o general.

    Ana Paula também prestou depoimento mais cedo e confirmou que foi chamada para discutir ações de assistência social. Ela, no entanto, acrescentou que durante o encontro houve menção a um possível plano para prender os líderes do acampamento.

    “O general Dutra e Torres falaram sobre mandado de prisão para líderes do acampamento. Fui acionada depois disso, quando muitas pessoas foram presas e ficaram na Polícia Federal, sem condições de serem transferidas ao sistema prisional”, relatou Ana.

    A defesa de Anderson Torres solicitou o depoimento do general justamente por conta dessa reunião, realizada na sede da Secretaria de Segurança Pública do DF. O encontro não foi registrado em ata, o que, segundo os protocolos institucionais, seria um procedimento padrão para reuniões oficiais.