Brasil e China divulgam declaração conjunta sobre guerra na Ucrânia

    Documento reforça apoio às negociações propostas por Putin e destaca a importância de uma solução política para o conflito

    Foto: Ricardo Stuckert/ PR

    O governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, divulgou nesta terça-feira (13) uma declaração conjunta com a China sobre a guerra na Ucrânia. No documento, Lula e o presidente chinês, Xi Jinping, expressam apoio à proposta do presidente russo, Vladimir Putin, feita no sábado (10), que defende a realização de “conversas diretas” com Kiev.

    A declaração foi publicada após a cerimônia de assinatura de acordos entre Brasil e China, seguida pelos pronunciamentos dos dois líderes.

    “Superar a insensatez dos conflitos armados também é pré-condição para o desenvolvimento. Os ‘Entendimentos Comuns entre o Brasil e a China para uma Resolução Política para a Crise na Ucrânia’ oferecem base para um diálogo abrangente que permita o retorno da paz à Europa”, afirmou Lula, relembrando a proposta conjunta divulgada pelos dois países no ano anterior.

    O texto destaca que os dois países “esperam que se inicie, no menor prazo possível, um diálogo direto entre as partes”, considerado o único caminho para o fim da guerra.

    Na última sexta-feira (9), Lula e Xi participaram das comemorações do Dia da Vitória em Moscou, onde também mantiveram reuniões bilaterais com o presidente russo Vladimir Putin.

    A declaração conjunta também expressa a expectativa de que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reaja de forma positiva à proposta de diálogo.

    Documento na íntegra: Declaração Conjunta Brasil-China sobre a Crise na Ucrânia
    Pequim, 13 de maio de 2025

    1. Brasil e China acolhem a proposta apresentada pelo presidente Vladimir Putin, em 10 de maio, de iniciar negociações de paz, assim como a manifestação favorável de Volodymyr Zelensky nesse mesmo sentido.

    2. Os governos brasileiro e chinês esperam que um diálogo direto entre as partes se inicie o quanto antes, por considerá-lo a única forma de encerrar o conflito.

    3. Ambos os países consideram positivos os recentes sinais de disposição ao diálogo e esperam que as partes envolvidas cheguem a um entendimento que permita o início de negociações produtivas, levando em conta as legítimas preocupações de todos os envolvidos.

    4. Brasil e China defendem uma solução política que enfrente as causas do conflito e resulte em um acordo de paz duradouro, justo e vinculante para todas as partes.

    5. Com esse propósito, em maio de 2024, Brasil e China fizeram um apelo pela criação de condições que permitissem a retomada do diálogo. Em setembro do mesmo ano, lançaram na ONU o Grupo de Amigos da Paz, que reúne países do Sul Global.

    6. Os dois países reiteram sua disposição, junto com o Sul Global, de continuar apoiando os esforços para encerrar o conflito.