Ibovespa cai na contramão do exterior com dados econômicos e juros no radar

    Investidores repercutem dados do PIB dos Estados Unidos do 2º trimestre

    Reprodução: Patricia Monteiro/Bloomberg

    O Ibovespa (IBOV) recua nesta quinta-feira (29), com os investidores à espera de novos sinais sobre o rumo da política monetária do Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos (EUA). O principal índice de ações da bolsa brasileira caiu 0,73%, aos 136.345 pontos, de acordo com informações do portal Bloomberg Línea.

    O dólar, por sua vez, subiu 1,46%, cotado a R$ 5,64.

    A revisão do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA afetou os mercados hoje. A economia dos EUA cresceu em um ritmo ligeiramente mais forte no segundo trimestre do que o inicialmente relatado, refletindo uma revisão para cima dos gastos dos consumidores, que mais do que compensou a atividade mais fraca em outras categorias.

    O PIB subiu a uma taxa anualizada de 3% no período de abril a junho, acima da estimativa anterior de 2,8%, de acordo com dados do departamento de estatísticas do país publicados hoje. O principal motor de crescimento da economia – o consumo pessoal – avançou 2,9%, em comparação com a estimativa anterior de 2,3%.

    No cenário doméstico, a indicação de Gabriel Galípolo para a presidência do Banco Central (BC) continua a movimentar o mercado.

    Para Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura Investimentos, os investidores devem adotar, em um primeiro momento, “uma postura mais cautelosa à indicação, pressionando dólar e juros, devido à insegurança no discurso de Galípolo nas últimas semanas”.

    “No entanto, a reunião de 18 de setembro deve ser um divisor de águas, pois deve ficar mais claro o direcionamento de Galípolo para a política monetária local. Caso se concretize a alta de juros, podemos ver o mercado exigindo menores prêmios de risco nos ativos locais”, disse.

    Com o fim da temporada de resultados do segundo trimestre, o foco deve voltar para o cenário macroeconômico. Os mercados estão apostando em cortes de 1 ponto percentual nas taxas até o final do ano nos EUA, mas ainda há incerteza se o Federal Reserve aliviará a política com um corte de 0,25 ponto no próximo mês ou com um corte maior, de 0,50pp.

    O índice de inflação preferido do Fed pode fortalecer as apostas sobre o quanto e quão rápido o banco central americano aliviará a política, com os dados anuais e mensais do núcleo do PCE previstos para amanhã (30).