Exército paga bônus mesmo sem atingir metas e tenta esconder informação

    Verba foi distribuída apenas a civis; Exército omitiu dados, e CGU obrigou força terrestre a revelar pagamentos

    Foto: José Cruz/Agência Brasil

    O Exército pagou R$ 4,8 milhões neste ano em bônus por desempenho institucional que envolve, entre outros pontos, “contribuir com o desenvolvimento sustentável e a paz social”. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.

    Mesmo com desempenho abaixo do esperado em 2022 para esse ponto —86% alcançados, quando a meta era 100%— a Força pagou gratificações entre cerca de R$ 1.000 a R$ 5.600 para 1.903 servidores civis.

    Segundo a Folha, o valor estava sob sigilo e só foi liberado após determinação da CGU (Controladoria Geral da União), em recurso apresentado pela Folha em pedido baseado na Lei de Acesso à Informação.

    Para calcular o bônus, o Exército também avaliou os resultados para “dissuasão extrarregional”, “ampliar a projeção do Exército no cenário internacional” e “aperfeiçoar o sistema de ciência, tecnologia e inovação”.

    Apenas no objetivo ligado à dissuasão extrarregional o Exército considera que ultrapassou a meta. Nesse item, os militares avaliam o “índice de operacionalidade da força terrestre”. “Contribuíram positivamente para esse resultado a eficácia na prontidão, a prontidão logística e o efetivo existente nas brigadas”, informou o Exército sobre o item.

    O pagamento de cada servidor considerou notas individuais e o resultado institucional do Exército de 2022. No ano, a atuação das Forças Armadas ficou marcada pelo alinhamento ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por exemplo, ao alimentar teses golpistas contra as urnas eletrônicas.

    Cada item tem fatores diferentes que são levados em conta para apontar se a meta foi ou não alcançada.