Marinho: vamos apresentar projeto para regular trabalho por apps com ou sem acordo com empresas

    Governo chegou a sugerir pagamento mínimo de R$ 17 por hora rodada a entregadores, mas não formalizou proposta

    Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

    De acordo com uma reportagem do Estadão, diante do impasse na negociação entre as empresas de aplicativos, como Ifood, e os entregadores por moto ou bicicleta, o governo deverá enviar um projeto de lei ao Congresso Nacional arbitrando os valores da remuneração mínima da atividade. Desde a semana passada, quando acabou oficialmente o prazo de funcionamento do grupo de trabalho criado pelo governo Lula sobre o tema, as partes tentam um acordo, sem sucesso.

    O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, declarou nesta segunda-feira (9) que a previsão é enviar um projeto de lei ao Congresso com as bases dessa regulamentação em 15 dias. O Estadão aponta que as empresas e os motoristas de aplicativos, como Uber e 99, já estão próximos de um acordo. Mas os motoboys e os ciclistas ficaram de fora. A dificuldade é que o governo exige que o piso da remuneração seja de um salário mínimo mensal e que haja contribuição de empresas e trabalhadores para a Previdência Social. Ainda segundo o Estadão, no caso dos motoristas, o acordo costurado é para que haja o pagamento mínimo de R$ 30 por hora rodada. Incidirá sobre 25% desse valor as alíquotas de 20% (patronal) e 7,5% (trabalhador) de contribuição para a Previdência. Os contratos de trabalho serão pelo modelo de prestação de serviços.

    Para os entregadores, as empresas ofereceram R$ 12 por hora rodada, mas os representantes dos trabalhadores pediram R$ 35. Além disso, não há acordo entre as partes sobre o conceito da hora trabalhada – as empresas querem computar apenas a hora da entrega e os trabalhadores, a hora logada (quando é feito o acesso ao aplicativo). O Estadão acrescenta que a dificuldade também acontece porque a categoria é mais diversa do que a dos motoristas. Há trabalhadores que têm contratos de trabalho CLT com restaurantes e lojas; outros são vinculados aos aplicativos, como Ifood, e ainda há os que só fazem bicos.

    Durante a negociação, segundo apurou o Estadão, o governo chegou a sugerir como solução intermediária R$ 17 por hora rodada, mas não formalizou a proposta. O número foi rechaçado pelos dois lados. Os trabalhadores, pelo uso do critério da hora rodada; as empresas, pelo elevado valor que isso pode representar na contribuição delas para a Previdência. Desde então, representantes das duas partes seguem em tratativas, mas distantes de um consenso.

    O ministro do Trabalho admitiu a falta de acordo para os trabalhadores de duas rodas e reforçou que o governo fará a arbitragem. Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cogitam subir este valor mínimo para atender aos motoboys, mas dizem que a palavra final será de Lula, uma vez que a regulação do mercado foi uma promessa de campanha dele.

    “Nos aplicativos de entregadores, ainda não chegamos a um acordo; não está fácil. No projeto que vamos remeter ao Congresso Nacional, vamos arbitrar o que vai acontecer, porque as empresas estão muito duras”, disse ele, em audiência pública no Senado nesta segunda-feira. “(As duas categorias, de motoristas e entregadores) Vão junto. Se dependesse de acordo nas duas rodas, não iriam”, declarou Marinho.