Auditor da Receita é demitido por usar cargo para violar dados de desafetos de Bolsonaro

    Ricardo Feitosa respondia processo administrativo por violar dados de desafetos do ex-presidente como Bebianno, Paulo Marinho e procurador que investigava ‘rachadinhas’

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Um auditor da Receita Federal foi demitido por utilizar o cargo para perseguir opositores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Assinada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a portaria que oficializa a decisão foi publicada na edição desta quinta-feira (5) no Diário Oficial da União.

    Conforme Bela Megale, no O Globo, o chefe da área de Inteligência da Receita na gestão Bolsonaro, Ricardo Feitosa, respondia a um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) que, após concluído, recomendou a demissão do servidor.

    “O Ministro de Estado da Fazenda, no uso da atribuição (…) resolve: Demitir Ricardo Pereira Feitosa, Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, matrícula SIAPE nº 1368649, por valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública, com restrição de retorno ao serviço público federal”, diz texto do DOU.

    Segundo a coluna, Feitosa é apontado como o servidor responsável por devassar dados fiscais sigilosos de adversários políticos de Bolsonaro, durante a administração do ex-presidente.

    De acordo com documentos obtidos pela Folha de S. Paulo, um dos alvos do auditor foi Eduardo Gussem, então procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro e responsável pelas investigações do suposto esquema de rachadinha dentro do gabinete de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

    Também foram alvos de Ricardo Feitosa dois políticos que haviam rompido com Jair Bolsonaro, o empresário Paulo Marinho, suplente de Flávio no Senado, e o ex-ministro Gustavo Bebianno, que morreu em março de 2020.