Deputado do PT pede investigação sobre investimentos do presidente do Banco Central

    Parlamentar questiona o fato do presidente do BC manter investimentos em fundos afetados diretamente pela política da instituição financeira

    Foto: Agência Brasil

    Apontando uma espécie de conflito de interesses, um deputado federal petista acionará a Comissão de Ética Pública da Presidência da República para solicitar uma investigação a respeito de investimentos do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto.

    De acordo com informações da coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, a representação será apresentada nesta quinta-feira (28), por Lindbergh Farias (PT-RJ), que questiona o fato do presidente do BC manter investimentos em fundos afetados diretamente pela política da instituição financeira.

    Segundo a publicação, o pedido pela investigação ocorre porque o parlamentar considerou que Campos Neto deu respostas “vagas” sobre este assunto em uma audiência pública na Câmara dos Deputados.

    Na representação junto à Comissão, Lindbergh cita o artigo 5º do Código de Conduta da Alta Administração Federal, que veda o “investimento em bens cujo valor ou cotação possa ser afetado por decisão ou política governamental a respeito da qual a autoridade pública tenha informações privilegiadas, em razão do cargo ou função”.

    “Enquanto presidente do Banco Central, [Campos Neto] é diretamente responsável pelas alterações na taxa Selic [taxa básica de juros], além de outras competências, é evidente que pode ter sido praticado pelo denunciado desvio às normas do referido código, passiveis de apuração e eventual sanção”, pontua o parlamentar no documento.

    A pergunta que ensejou a representação foi feita nesta quarta-feira (27), quando o petista questionou se o presidente do BC mantém investimentos em fundos exclusivos com remuneração pela taxa Selic. Campos Neto, entretanto, respondeu apenas sobre suas offshores, que segundo ele foram declarados desde que assumiu o Banco Central.

    Segundo a coluna, Lindbergh, então, insistiu na pergunta sobre os fundos exclusivos, que são investimentos milionários em aplicações como ações e renda fixa. “O senhor não respondeu se tem [investimento] em fundo exclusivo e se esse fundo exclusivo tem remuneração de taxa Selic ou do IPCA [indicador oficial de inflação], título do Tesouro Direto”, pontuou o parlamentar.

    O presidente do BC, entretanto, não se manifestou. Disse apenas ser favorável à taxação de super-ricos, de fundos exclusivos e de offshores, defendendo uma alíquota de 10%.