Produção industrial baiana cai de abril para maio, aponta IBGE

    Setor apresentou a sua primeira queda no estado, após três meses de crescimentos consecutivos

    Foto: José Paulo Lacerda/Confederação Nacional da Indústria

    A produção industrial da Bahia recuou (-2,4%), no mês de maio frente ao mês anterior (abril), na comparação com ajuste sazonal, segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) Regional, do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    O setor apresentou a sua primeira queda no estado, após três meses de crescimentos consecutivos (4,9% de janeiro para fevereiro, 5,6% entre fevereiro e março e 0,8% entre março e abril).

    De acordo com o levantamento do IBGE, em maio, a produção industrial baiana também ficou abaixo do nacional (variação positiva de 0,3%) e foi o segundo pior entre os 15 locais comparados pela pesquisa, dez dos quais registraram avanços. Os maiores crescimentos aconteceram em Amazonas (12,8%), Pernambuco (5,6%) e Paraná (5,3%). Abaixo da Bahia ficou apenas Santa Catarina (-2,7%).

    Com a retração de maio, a produção da industrial no estado se distanciou ainda mais do patamar verificado antes do início da pandemia de Covid-19, em fevereiro de 2020 (-21,2%, frente a -19,1% em abril).

    Já em comparação a maio do ano passado, a indústria da Bahia também apresentou queda (-3,3%), interrompendo dois meses seguidos de variações positivas (0,9% em março e 0,5% em abril) e mostrando um resultado bem abaixo do verificado no Brasil como um todo (1,9%).

    Dentre os 18 locais investigados com resultados nessa comparação interanual, seis tiveram queda de produção na indústria. Maranhão (-9,6%), Ceará (-8,1%) e Santa Catarina (-4,4%) ficaram com índices inferiores ao da Bahia. Já Pará (29,6%), Amazonas (7,6%) e Pernambuco (6,3%) tiveram as altas mais significativas.

    Os resultados negativos sustentaram as quedas da produção industrial baiana tanto no acumulado nos cinco primeiros meses de 2023 (-3,7%), quanto nos 12 meses encerrados em maio (-3,1%). Em ambos os casos, a Bahia tem taxas inferiores às do Brasil como um todo (-0,4% e 0,0%, respectivamente).

    Atividades derivadas do petróleo

    Conforme o levantamento da PIM-PF Regional, organizado pelo IBGE, o recuo na produção industrial baiana em comparação a maio deste ano com maio do ano passado (-3,3%) devem-se as quedas da indústria extrativa (-18,1%, a 13ª retração mensal consecutiva) e na indústria de transformação (-2,2%), que voltou a se retração após duas altas seguidas.

    A produção caiu em oito das dez atividades da indústria de transformação investigadas separadamente no estado. Mostraram avanços apenas a fabricação de produtos alimentícios (16,8%, 6º crescimento mensal consecutivo) e a preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (22,1%, 3ª alta seguida).

    A fabricação de coque, por sua vez, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (-6,1%) teve o quarto maior recuo no mês e exerceu o principal impacto negativo no resultado geral da indústria baiana em maio.

    Com maior peso na estrutura industrial do estado (33,9%), a produção de derivados de petróleo caiu, em maio, após dois meses em alta, nos quais havia sido a que mais tinha puxado a indústria baiana para cima.

    A segunda maior contribuição para a queda da produção industrial no estado, em maio, veio da fabricação de produtos químicos (-5,6%), que tem também o segundo maior peso na estrutura do setor na Bahia e mostrou o terceiro recuo mensal consecutivo.