Acordo sobre a venda do terreno da antiga CSN avança, mas rodoviários se mantêm cautelosos

    O anúncio foi feito pelo prefeito Bruno Reis (PT), na última quinta-feira (16). A área é avaliada em R$ 20 milhões

    Foto: Cássio Santana / bahia.ba

    O imbróglio em torno da venda do terreno da antiga Concessionária Salvador Norte (CSN) pode chegar ao fim nos próximos meses. Isso porque o prefeito Bruno Reis (União Brasil) anunciou que a MRV e o Bradesco entraram em acordo para adquirir o repasse da área, avaliada em R$ 20 milhões. O montante será usado para o pagamento das indenizações dos funcionários demitidos pela empresa, em junho de 2020.

    “O Bradesco deu ok e vai assinar o contrato com a MRV, que está adquirindo o terreno [garagem de Pirajá 1] por R$ 20 milhões, para indenizar esses trabalhadores que não foram contratados pelas empresas atuais. Com isso, [vou] zerar mais, digamos assim, esse compromisso. Eu me comprometi em ajudar e colaborar para que esses terrenos fossem vendidos”, comentou o chefe do Executivo municipal, na tarde da última quinta-feira (15).

    O anúncio de Reis foi feito durante entrevista ao programa Boa Tarde Bahia, exibido pela Rádio Band News FM. Em contato com o bahia.ba, o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Fábio Primo, comemorou o comunicado, contudo, afirmou que a categoria manterá-se cautelosa.

    “Mandei uma mensagem para ele [Bruno Reis], ele confirmou, e mandei uma mensagem para o advogado da extinta CSN que também confirmou. Agora, por parte nossa, do sindicato, a gente terá as precauções, [vamos] aguardar esse dinheiro está disponível no processo e na conta judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-5)”, ponderou o titular do sindicato, na manhã desta sexta-feira (16).

    Ao bahia.ba, Primo explicou que o recurso que será disponibilizado na conta judicial deve ser destinado a cerca de 700 ex-funcionários. Segundo o sindicalista, o valor total da rescisão dos ex-rodoviários chega a R$ 54 milhões.

    “Assim que estiver [disponibilizado na conta judicial], a gente vai convocar parte dos trabalhadores, até porque a nossa rescisão total é de R$ 54 milhões. Na verdade, era um pouco mais de R$ 74 milhões, teve um crédito em 2020/2021, que a Prefeitura passou que era da CSN. Agora, foi desapropriado um terreno por parte do governo do estado. Aí, já entrou na conta R$ 2,4 milhões”, afirmou o presidente do sindicato dos Rodoviários.

    “Nas próximas horas, mais R$ 3 milhões deve estar entrando [na conta judicial]. Com mais este terreno que deve vim R$ 11 milhões pra conta”, emendou o titular dos Rodoviários.

    A disponibilização dos recursos anunciados pelo prefeito, na tarde da última quinta-feira (15), ainda depende da “assinatura [do contrato] para disponibilizar o recurso à Justiça do Trabalho e fazer o pagamento”. A data da firmação do acordo, contudo, não foi informada por Bruno Reis.

    O presidente do Sindicato dos Rodoviários informou ao bahia.ba, que o valor será pago, de forma imediata, “assim que receber o valor”. “Continuamos no caminho até pagar todos os trabalhadores”, pontuou Primo.