A cantora Ju Moraes desabafou sobre a ausência de mulheres na line-up do tradicional festival “Samba Piatã”, que acontece em Salvador no dia 23 de julho, no Parque de Exposições. A artista classificou a categoria como “machista”.
“Um desabafo mesmo porque a gente vê que isso não é uma ideia do Samba Piatã, isso é em todos os festivais de samba do Brasil. Isso está acontecendo o tempo inteiro. O samba é extremamente misógino, machista e o mercado da gente, os produtores de eventos, só contratam homens”, disse em entrevista ao bahia.ba
Ju ainda destacou nomes de mulheres que estão em evidência no samba, e pontuou que ainda assim continuam sendo ignoradas pelos organizadores de eventos da categoria.
“Tem Marvilla, que acabou de ganhar um programa de grande visibilidade (BBB23), porque é isso que eles querem. Tem música boa. Tem Maria Rita, Ludmilla, o grupo Entre Elas, aquele grupo de Curitiba que está fazendo sucesso no Brasil todo, e ninguém olha para isso, ninguém percebe e continuam fazendo como se fosse a coisa da mais comum do mundo”, pontuou.
A cantora também comentou sobre vontade de desistir da carreira musical pela falta de reconhecimento como artista.
“Enquanto a gente não falar, eu acho que ninguém vai falar. Dá uma vontade até desistir do samba, de desistir da música porque a gente parece que fica cada vez mais invisível. Isso é muito difícil”, desabafou.
Questionada pela equipe de reportagem do bahia.ba sobre ter entrado em contato com organizadores de eventos para falar a respeito da ausência de mulheres na grade de atrações, a artista afirmou que esse não é o seu “papel”.
“Não liguei porque acho que esse não é o meu papel. Isso é um dever de casa que um produtor sério deveria fazer. Não sou eu que tenho que fazer isso”, disse.
Ju também comentou sobre a necessidade de o público passar a cobrar por presença de vozes femininas em grandes eventos.
“Tem que ser feito uma tomada de consciência geral. O público também tem que começar a fazer suas cobranças e exigências. Botar a voz, porque não adianta só a gente. Eu não sou a primeira mulher que reclama sobre isso”, disse.
A artista ainda chamou atenção para o silenciamento de artistas que estão em ascensão na categoria, sobre não poder falar, com receio de ficsr de fora de futuros projetos.
“Eu tenho certeza de que se perguntar para qualquer mulher no Brasil, Thaís Macedo, as meninas todas do Rio de Janeiro que estão fazendo samba, o grupo Entre Elas, se se elas estão felizes em estarem de fora das maiores festa Brasil, elas vão falar a mesma coisa que eu. Só que como elas têm muito medo de falar, e não serem chamadas pra fazer mais nada, aí ninguém fala. Mas eles já não estão chamando a gente para fazer nada mesmo. Nem isso a gente tem mais essa besteira de não falar, porque invisibilizadas a gente já está há muito tempo. Não vai mudar isso agora. Eu nem acredito nessa mudança”, finalizou a artista.

