Jerônimo cita ‘barras de ouro’ do MEC e diz que Bolsonaro desconhece Inep

    Ex-secretário de Educação exaltou índices da Bahia, apontou defasagem na educação infantil e defendeu cooperação com as prefeituras

    Imagem: Reprodução / YouTube

    Ex-secretário de Educação e pré-candidato ao governo da Bahia pelo PT, Jerônimo Rodrigues rebateu as críticas feitas à sua gestão pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), apontou desconhecimento do mandatário sobre índices medidos pelo próprio governo federal e citou ainda um dos escândalos de corrupção no qual o Ministério da Educação (MEC) está envolvido.

    “O presidente esqueceu de olhar os indicadores que o Inep [Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira] é um órgão do MEC, é esse que está aí agora envolvido, infelizmente, com as barras de ouro”, disse o petista, em entrevista à Rádio Metrópole, nesta quinta-feira (14). A fala faz referência à propina em ouro cobrada por pastores a prefeitos, em troca de facilidades junto à pasta.

    Segundo Jerônimo, o último relatório divulgado pelo Inep, em 2019, mostra que a Bahia cresceu 25%. “Ele esqueceu de olhar isso. Foi o estado que mais cresceu nos indicadores”, afirmou o ex-secretário, segundo o qual, parlamentares da oposição também precisam tomar conhecimento dos dados. “Eu vou até enviar pra Assembleia, pra que os deputados estaduais leiam isso”, alfinetou.

    O pré-candidato defendeu ainda “outro tipo de debate” com os opositores, levando em consideração a defasagem dos alunos ao chegar no ensino médio. “Se ele [o estudante] não vier com uma boa base de educação, o nível médio não resolve o problema. A situação da educação está lá embaixo. Cadê as creches de salvador?”, questionou Jerônimo, que disse não estar colocando a culpa nos prefeitos, mas sim fazendo um chamado para que haja cooperação entre as administrações municipais e a estadual.

    “Eu estou chamando pra fortalecer o que eu fiz na Secretaria de Educação e farei como governador desse estado, que é fazer uma grande agenda com os municípios, com Unicef, com Unesco, ou seja, com as entidades que trabalham isso, com os meios de comunicação, pra gente nao deixar o estudante, o menino, a criança, fora da escola, lá nos seus dois, tres, quatro anos”, pontuou o petista, reafirmando o papel social das creches para as famílias e para as crianças. “Como é que nós no nível médio vamos oferecer um estudante bom pra universidade se ele não tem base?”, argumentou.