Arnaldo Jabor, um grito contra as balas perdidas que nos infernizam

    "Bala perdida? Você está engolindo essa conversa fiada? Nisso aí, perdidos estamos nós!"

    Foto: Divulgação
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    Na dobrada do ano, em Alto de Coutos, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, a fisioterapeuta Valéria Maria Cardoso Santos, 37 anos, morreu vítima de bala perdida. Num tiroteio entre traficantes, perdeu a vida. Um pouco mais atrás, em outubro, em Jacutinga, no Rio de Janeiro, uma criança de um ano e meio levou um tiro no peito.

    E no início deste mês, dia 6 precisamente, Ketthellen Mayane Bispo França, uma criancinha de apenas dois anos e cinco meses, foi vítima de um tiro na testa.

    Tais rememorações são nossa homenagem a Arnaldo Jabor, que ontem se foi, cineasta, mas na parte jornalística, uma extrema sensibilidade para captar a essência do fato e cobrar a providência no rumo do sentido maior do bom jornalismo, o interesse público.

    Papo furado

    E eis que lá um dia, Arnaldo Jabor fazia um comentário indignado com casos de violência acima citados, o top de linha do apodrecimento social (galopante, infelizmente) em que vivemos.

    — Bala perdida? Você está engolindo essa conversa fiada? As balas entram pela Baía de Guanabara, chegam em caminhões desde lá das fronteiras onde foram contrabandeadas. Bala perdida coisa nenhuma! Nisso aí, perdidos estamos nós!

    Que Jabor chegue lá por cima em paz. Ficou a lição. O interesse público reclama a imposição da cidadania sobre a criminalidade. Pior é ver Bolsonaro estimular o uso de armas. É abdicar de um dos mais sublimes papéis de Estado, a segurança pública, e mandar cada um se virar.