Cerco ao São João, eis o desafio da vez. O medo é uma terceira onda

    Ano passado, o São João não teve forró, mas muita gente aglomerou em sítios e fazendas, turbinando a Covid. O medo é que isso provoque a terceira onda

    Dizem nas rodas de conversas entre os que estão na linha de frente do combate à pandemia que a Covid não gosta de álcool gel nem do álcool genuinamente puro, mas tem uma parceria fatal com o álcool etílico.

    Por aí, em tempo de pandemia aglomerar é símbolo de gol contra, mas em festas movidas a bebidas alcoólicas, muito pior. A disseminação se alastra com bem facilidade, até por causa dos do estica e agarra e rala-fala que permeiam tais situações.

    É aí que a Covid impõe a subversão cultural nossa, nordestina: o São João, a festa que mexe com o Nordeste de ponta a ponta, povoado a povoado, fazenda a fazenda, virou o inimigo número porque tem na sua gênese o licor e outros agregados.

    Ponta a ponta

    A questão é que na segunda onda, a Covid está batendo como nunca. Ipirá, por exemplo, na banda oeste da região de Feira de Santana, está em lockdown. Os prefeitos sentem na pele.

    Ninguém de bom senso, no mundo artístico, científico ou político acreditava que este ano poderia haver São João, mas mesmo assim os prefeitos fazem questão de anunciar o cancelamento da festa. Um deles disse que tal decisão atende a questões contábeis e também há propaganda reafirmando a anulação da festa.

    É um cuidado. Ano passado, o São João não teve forró, mas muita gente aglomerou em sítios e fazendas, turbinando a Covid. O medo é que isso provoque a terceira onda.