Bolsonaro e o orçamento paralelo, o jogo do toma-lá-dá-cá que ele jurava que não ia jogar

    Depois de 'mensalão' e 'petrolão' vem aí o 'Bolsolão'? Deputado investigando ele mesmo? Difícil

    Foto: Carolina Antunes/PR
    Foto: Carolina Antunes/PR

     

    Só para colocar os pingos nos is, convém lembrar que o toma-lá-lá-dá-cá, hoje sinônimo de degeneração política, faz parte do jogo. E tem hierarquia moral: oscila entre os bons, ‘toma lá teus votos, dá cá uma escola, um hospital e por aí’; o normal, ‘dá cá um emprego’; e o maldito, o ‘dá cá pra mim’.

    Bolsonaro passou 24 anos como deputado federal e conhece da coisa. Pouco antes de assumir a Presidência da República, em 1 de janeiro de 2019, entrou a amaldiçoando a prática. Em março o papo já era outro. Na Bahia, por exemplo, tinha 40 cargos federais em jogo, todos discretamente ocupados. Hoje, está totalmente rendido, e, o pior, com o ‘dá cá’ cheirando mal, algo em torno de R$ 3 bilhões, batizados de ‘orçamento paralelo’.

    Bolsolão

    Ora, chamem como queiram, orçamento paralelo sempre existiu. É igual ao ‘caixa 2’ tão evidenciado pela Lava Jato. Pode ser, nos dois casos, é que tenha havido exagero na dose, e aí está a raíz dos problemas.

    O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) protocolou o pedido de uma CPI do Orçamento Paralelo, por ele batizado de ‘Bolsolão’. Tem chance? Zero. Deputados investigar eles próprios nisso? Acreditar nisso é piada.

    E isso é garantia de que Bolsonaro, escancarando os cofres num ano eleitoral, vai ter o apoio dos beneficiários? Um baiano do grupo diz que em 2022 a situação será reavaliada. Mas, reza a tradição, quase sempre cada um olha primeiro para si.