Sheila assume Conquista em meio a muitas interrogações

    Como vai se comportar ante a legião de auxiliares de Herzem, todos negacionistas e que com ela já vinham trombando?

    A morte de Herzem Gusmão (MDB), o prefeito de Vitória da Conquista que se reelegeu no segundo turno em 29 de novembro, vítima de Covid, deixou muita tristeza. E muitas interrogações povoando o falatório em torno do caso. Duas das principais:

    1 — E a sucessora, Sheila Lemos (DEM), que toma posse oficialmente hoje, como vai se comportar ante a legião de auxiliares de Herzem, todos negacionistas e que com ela já vinham trombando?

    2 — Apesar de prefeito do terceiro município mais populoso da Bahia, radialista de um vozeirão potente, Herzem nada tinha de bens. Nem casa para morar, vivia em imóvel alugado. Deixou de herança, além de dívidas, nelas inclusas a conta do Hospital Sírio Libanês, onde morreu. E quem vai pagá-las?

    Macumba

    Isso ocorre justo quando o município acabou de sair de uma campanha extremamente polarizada num jogo de vale-tudo entre os seguidores de Herzem, um bolsonarista de quatro costados, e os petistas que governaram lá por 24 anos.

    Óbvio que a Covid não escolhe suas vítimas por idade, raça, credo ou opção política, pega o que está na frente. O seu vasto cabedeal de vítimas inclui do professor Elsimar Coutinho, um cientista e natural defensor da ciência, até Herzem, um negacionista.

    Mas a pastora Eliana Lucena entrou na festa dizendo que Herzem ‘foi alvo de macumbagem’. O corpo dele está insepulto, mas o estigma, vivíssimo. O povo do candomblé soltou uma nota de repúdio.

    Sheila, vida de tragédias

    Herzem Gusmão ganhou a eleição para prefeito de Conquista em 2016 tendo como vice a empresária Irma Lemos. Ano passado, ela, que anteriormente era vereadora, não quis mais e indicou a filha, Ana Sheila Lemos Andrade, 48 anos, que em 2018 foi candidata a deputada federal pelo DEM e na cidade ficou em quinto lugar, com 4.525 votos.

    Ironia que Sheila tenha chegado ao poder assim, justo ela, que tem uma vida marcada por tragédias na família. O ex-marido morreu queimado num acidente, e três irmãos também foram vítimas de acidente.

    Ela lamentou a morte do titular:

    – Nosso desejo era governarmos juntos, mas não foi esse o desígnio de Deus.

    O vice e a jurisprudência

    Alguns perguntam: quando morre o titular, o vice automaticamente sobe?

    Sim. A jurisprudência foi firmada em março de 1985, quando José Sarney, o vice do presidente eleito, Tancredo Neves, assumiu em definitivo depois que o titular morreu. O princípio é que foi eleita uma chapa.

    Em Goiânia, Rogério Cruz (Republicanos) virou prefeito porque Maguito Vilela (MDB) se elegeu internado e depois morreu.