Conselho de Ética suspende deputado paulista que assediou colega

    'Mais uma vez o corporativismo e o machismo estrutural prevaleceram na casa', afirmou a deputada Isa Penna; relator propôs cassação do mandato

    Imagem: Reprodução/ CNN Brasil

    Reunido nesta sexta-feira (5), o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) optou pela pena mais branda em jungamento do deputado Fernando Cury. O parlamentar, que foi acusado de ter assediado a deputada Isa Penna (PSOL), foi suspenso por 119 dias. Neste período, Cury continuará recebendo os benefícios do mandato. A resolução do Conselho de Ética será submetida ao plenário.

    Em nota à imprensa, Isa Penna afirmou que “mais uma vez o corporativismo e o machismo estrutural prevaleceram na casa, uma comissão de ética majoritariamente formada por homens fez um caráter violento em todas as sessões. Seguir remunerando um gabinete inteiro, seguir um mandato político. Isso é afago, é um presente. Seguir impune por um assédio”.

    No início da sessão, o deputado Wellington Moura (Republicanos) apresentou seu voto separado. Moura propôs a aplicação de “suspensão temporária do exercício do mandato do deputado Fernando Cury pelo prazo de 119 dias”. O deputado também defendeu “que neste período lhe seja suspenso a percepção de subsídio ou quaisquer vantagens pessoais decorrentes do exercício do mandato”. A decisão, no entanto, manteve os benefícios.

    Relator do caso, deputado Emídio de Souza (PT), propôs a cassação do mandato.A cassação foi defendida também pela deputada Erica Malunguinho (PSOL).“Se a Alesp optar por uma pena mais branda, está dizendo que a luta das mulheres é uma falácia. É isso que estamos dizendo”, afirmou.

    Votaram a favor da pena menor e remunerada os deputados Adalberto Freitas (PSL), Wellington Moura (autor do voto), Delegado Olim (PP), Alex Madureira (PSD) e Estevam Galvão (DEM). O relator foi acompanhado pelos deputados Erica Malunguinho (PSOL), Barros Munhoz (PSDB) e a presidente Maria Lúcia Amaray (PSDB).