Decisão de Bolsonaro sobre perdão a dívida bilionária de igrejas evangélicas sai até sexta

    Texto aprovado no Congresso aguarda sanção ou veto do presidente, que tem na bancada evangélica importante base de sustentação política de seu governo

    Foto: Reprodução/YouTube

    Pendente de sanção do presidente, um projeto aprovado no Congresso Nacional pode anular multas aplicadas a igrejas evangélicas pelo não pagamento de impostos trabalhistas e multas aplicadas pela Receita Federal. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o valor do “perdão” seria de quase R$ 1 bilhão.

    O deputado federal David Soares (DEM) incluiu a proposta em uma lei sobre pagamentos de precatórios. Filho de R.R. Soares, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus, ele não se manifestou sobre o assunto.

    O texto aguarda a sanção ou veto do presidente Jair Bolsonaro, que tem na bancada evangélica importante base de sustentação política de seu governo. Ele tem até sexta-feira (11) para decidir se mantém ou não a benesse aos templos religiosos.

    Como revelou o Estadão no fim de abril, Bolsonaro promoveu na época uma reunião entre o deputado federal David Soares (DEM-SP), filho do missionário R. R. Soares, e o secretário especial da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto, para discutir os débitos das igrejas. O presidente já ordenou à equipe econômica “resolver o assunto”, mas os técnicos resistem.

    Bolsonaro também já defendeu publicamente a possibilidade de acabar com taxas ainda pagas pelas igrejas e “fazer justiça com os pastores, com os padres, nessa questão tributária”.

    Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, órgão ligado ao Ministério da Economia, recomendou que governo vete o perdão.

    Dívidas milionárias

    As igrejas são alvos de autuações milionárias por driblarem a legislação e distribuírem lucros e outras remunerações a seus principais dirigentes e lideranças sem efetuar o devido recolhimento de tributos. Embora tenham imunidade no pagamento de impostos, o benefício não afasta a cobrança de contribuições (como a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a CSLL, ou a contribuição previdenciária).

    Esses dois tributos são justamente os alvos da anistia aprovada pelo Congresso Nacional por meio do projeto de lei 1581/2020, que trata de descontos em pagamento de precatórios (valores devidos pela União após sentença definitiva na Justiça).

    A emenda proposta pelo deputado David Soares exclui as igrejas do rol de contribuintes da CSLL, ampliando o alcance da imunidade prevista na Constituição. O texto ainda diz que “passam a ser nulas as autuações feitas” com base no dispositivo anterior à proposta recém-aprovada – ou seja, elimina a dívida.

    As informações são do jornal O Estado de São Paulo