Dona Maria Luíza Câmara, o segredo entre xarás

    'Você está nos traindo, fazendo jogo duplo! Traidora!'

    E eis que lá um dia do início dos anos 2000, Dona Maria Luíza Câmara, a querida presidente da Associação Bahiana dos Deficientes Físicos, que nos deixou, numa das muitas conversas, diz:

    — Se eu lhe contar uma história, você promete só publicar quando eu autorizar? Não quero criar problemas para a Abadef.

    Palavra dada. Contou que em 1986, no calor da campanha em que Waldir Pires derrotaria o carlismo vencendo Josaphat Marinho, procurou Dona Iolanda Pires. Não achou, deixou o telefone do Instituto Bahiano de Reabilitação (IBR), onde ia.

    No IBR, o telefone tocou, deu azar. Lá também estava Maria Luíza Carneiro, então esposa do deputado João Henrique, nora de Dona Ieda Barradas, contato direto dela, e do governador João Durval. Disseram que era para Dona Maria Luíza, a da Abadef. A xará encarou ela e disparou:

    — Você está nos traindo, fazendo jogo duplo! Traidora!

    Nosso último contato com Dona Maria Luíza, a cadeirante, foi em fevereiro. E ela lembrou:

    — Olhe, aquela história da minha xará… Lembra? Pode soltar. Tá liberada.