‘Muita gente com rabo preso trocando proteção’, critica ex-presidente do BB

    Em entrevista, Rubem Novaes avaliou que a regra na capital federal, Brasília, é "criar dificuldades para vender facilidades"

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Dias após deixar a presidência do Banco do Brasil, o economista Rubem Novaes afirmou que o motivo de sua saída é a cultura política de Brasília. Ao jornalista Merval Pereira, do jornal O Globo, Novaes resumiu: “Muita gente com rabo preso trocando proteção”, disse.

    De acordo com a publicação, o ex-presidente da estatal explicou que tudo começou na reeleição de Fernando Henrique Cardoso e “piorou muito” com os mensalões e petrolões do PT. Além disso, a regra da capital federal é “criar dificuldades para vender facilidades”, sem contar os “privilégios e compadrios”.

    Apesar das críticas, no entanto, Novaes afirmou que não houve um fato específico que levasse à sua saída, nem mesmo pressão de políticos. Ao jornalista, Novaes criticou a decisão do ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), que impediu o Banco do Brasil de veicular propaganda no site Jornal da Cidade Online. O site é acusado de veicular notícias falsas.

    Depois do alerta, o BB suspendeu os anúncios, argumentando que não investiria publicidade em sites do tipo. A iniciativa rendeu críticas do vereador Carlos Bolsonaro, e a Secretaria de Comunicação da Presidência da República pediu que o banco retomasse a política de anúncios – o que aconteceu.

    Também foi alvo de críticas de Novaes a “reação à privatização”, como um “bom exemplo da resistência ao Liberalismo”. Segundo ele, é maior interesse pelas estatais entre aqueles que buscam empregos, poder e bons negócios.

    Apesar de todo o contexto, Novaes garantiu que continuará ao lado do ministro Paulo Guedes, da Economia. No entanto, ele não disse qual papel exercerá.