Governo ignorará pedido de Maduro para entregar suspeitos de atentado

    Em nota, Itamaraty afirma que não tem "satisfações a prestar ao regime ilegítimo venezuelano"

    Foto: Elza Fiúza/ABr

    O governo brasileiro vai ignorar o pedido realizado pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de capturar e entregar suspeitos de cometerem atentados a bases militares e policiais venezuelanas que Caracas afirma terem se refugiado em território brasileiro, informa o jornal O Globo. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores disse que o Brasil não tem “satisfações a prestar” ao governo venezuelano.

    “O Brasil não tem quaisquer satisfações a prestar ao regime ilegítimo venezuelano sobre a presença de nacionais venezuelanos em território nacional”, diz a nota do Itamaraty, enviada ao diário carioca.

    Segundo a publicação, o comunicado é uma resposta a acusações feitas pelo presidente Nicolás Maduro na noite de segunda-feira, onde afirmou que um lote de armamentos roubados estaria em solo brasileiro e classificou o ocorrido como um “ataque terrorista”. Na ocasião, Maduro dirigiu-se nominalmente ao presidente Jair Bolsonaro, pedindo que o Brasil detenha os suspeitos e os entregue às autoridades venezuelanas, juntamente com as armas. Ele disse ainda que 11 pessoas foram presas, entre civis e militares desertores.

    O Itamaraty também reiterou que o governo brasileiro “não tem qualquer participação nas ações em questão ocorridas dentro do território venezuelano”. Essa posição já havia sido formalizada na manhã de segunda-feira, depois de acusação do ministro do Comunicação venezuelano, Jorge Rodríguez, de que os acusados teriam tido ajuda brasileira antes de cometer os atentados.

    Rodriguez afirmou que os acusados passaram pelo Brasil antes de realizar a ação. Em pronunciamento ao vivo na TV estatal, o ministro disse, sem apresentar provas, que os homens receberam treinamento em Cali, na Colômbia, antes de serem transportados até o Peru e dali, por terra, até Manaus. Em seguida, foram até a cidade fronteiriça de Pacaraima, em Roraima, onde, segundo o chavista, ficaram hospedados em um hotel por 15 dias, recebendo ali “instruções e detalhes” sobre os ataques.