Governo quer ‘cancelar identidade dos indígenas’, diz Bispo ao rebater Mourão

    No Sínodo da Amazônia, religioso afirma que gestão Bolsonaro 'diz uma coisa e depois faz outra' em relação à preservação ambiental

    Foto: Reprodução/Arquidiocese de Olinda e Recife

    No Vaticano, dom Adriano Ciocca Vasino, que atua em São Félix Araguaia (MG), rebateu neste sábado (12) as declarações do vice-presidente Hamilton Mourão, e disse que o governo quer “cancelar a cultura e identidade dos indígenas”.

    Em entrevista à Filha, o religioso disse que o incômodo do governo de Jair Bolsonaro com o Sínodo da Amazônia é “provavelmente porque eles dizem uma coisa e depois fazem outra”.

    “Falar é fácil, mas, para cumprir de forma coerente com aquilo que a legislação prevê, a gente vê que tem um hiato muito grande”, diz. Segundo ele, a atitude adequada do governo é estabelecer mais diálogo com a Igreja Católica e com os povos indígenas para compreender melhor as necessidades e as exigências de quem vive ali.

    “Mas percebemos o contrário: este governo está querendo cancelar a cultura e a identidade dos indígenas. Eles querem que os índios como índios desapareçam e se agreguem à sociedade branca como pobres. Sociologicamente, entrariam numa outra categoria e desapareceriam como cultura e identidade próprias”, afirmou.

    Na sexta (11), Mourão disse que daria um “pequeno recado” ao Vaticano sobre a Amazônia. “A mensagem que eu quero passar, em nome do nosso governo, é que a Amazônia brasileira é brasileira. É responsabilidade nossa preservá-la e protegê-la. Quero deixar isso claro”, afirmou.

    Para dom Adriano, no entanto, a soberania do Brasil não está em discussão. Ele é um dos 57 bispos brasileiros que participam do Sínodo da Amazônia, reunião de religiosos e especialista dos nove países do bioma com o papa Francisco, que convocou a assembleia há dois anos para debater a ação da Igreja Católica na região e a situação do meio ambiente e dos moradores.