Odebrecht e OAS ensaiam retomada de obras no exterior pós-Lava-Jato

    Desidratadas por escândalos, empreiteiras brasileiras buscam obras na América Latina e na África para voltar a crescer

    Divulgação

    Aos poucos, Odebrecht e OAS, duas das principais empreiteiras brasileiras envolvidas na Operação Lava-Jato, começam a reconquistar obras no exterior para superar a crise desencadeada pela investigação, informa reportagem do jornal O Globo.

    Segundo a publicação, embora o movimento ainda seja pequeno em comparação ao auge do passado, a retomada dos contratos em outros países é considerada fundamental para a tentativa de recuperação das empresas.

    Novamente o foco são projetos na América Latina e na África, mas também está no radar a Flórida, nos Estados Unidos. No entanto, as companhias não contam mais com o apoio do BNDES, que financiou até 2015 a exportação de serviços de engenharia e obras, uma frente muito criticada politicamente, na esteira dos escândalos de corrupção.

    Nos últimos meses, a Odebrecht conquistou contratos novos nos EUA — obras no porto e no aeroporto de Miami —, Panamá, República Dominicana e Angola. Um deles é a extensão do metrô no Panamá, do qual ela já havia feito uma parte.

    Desde o início da Lava Jato, em 2015, a empresa faturou US$ 714 milhões com obras no exterior. Já a OAS venceu, no ano passado, licitações que somam R$ 900 milhões na Guiné e na Costa Rica. O plano das duas empreiteiras, ainda muito menores do que foram no passado, é acelerar retomada da internacionalização como forma de voltar a crescer.

    “O mercado externo sempre foi um componente relevante da receita”, diz Fabio Januário, presidente da Odebrecht Engenharia e Construção.