Na demissão de Bebianno, o porta voz até tentou driblar a imprensa. Não colou

    Afinal, o governo tem apenas 50 dias de instalado. E um ministro já dançou por conta dos mesmos motivos que geraram a crise da Lava Jato

    Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
    Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

     

    Otávio do Rêgo Barros, o porta voz da Presidência, até tentou despistar. Foi curto ao comunicar a demissão do ministro Gustavo Bebianno (foto), e depois discorreu com bem mais detalhes sobre a assistência que o governo vai dar para policiais e bombeiros que trabalharam no resgate das vítimas de Brumadinho e a política governamental para portos e aeroportos.

    Não colou. 100% das perguntas dos jornalistas presentes ao anúncio tiveram tema único: Bebianno.

    Pano de fundo

    Não poderia ser diferente. Afinal, o governo tem apenas 50 dias de instalado. E um ministro já dançou por conta dos mesmos motivos que geraram a crise da Lava Jato e a subsequente vitória do presidente Bolsonaro, o financiamento de campanha.

    Bolsonaro, é claro, se blindou (ou tenta). Não passou recibo. Algo que o mundo político ainda espera para ver o desdobramento.

    Aliás, fora os deputados federais, dez entre dez políticos, com mandato ou sem, dizem que o xis da questão é o mesmo, o financiamento de campanhas.

    Tiraram as doações empresariais, o motivo que vitaminou a Lava Jato, e instituíram o financiamento público. Resultado: o grosso do dinheiro foi para deputados federais com mandatos, que ainda tinham que doar 30% para mulheres, e o resto ficou sem nada, nem os candidatos a federal sem mandato, muito menos os estaduais. Foi aí que Bebianno entrou. E dançou.