Bolsonaro ganhou com atentado, mas continua também como mais rejeitado

    Ressalte-se que Bolsonaro, segundo o Ibope, perde segundo turno para quase todos. Só ganha para Haddad, por um ponto, o que é empate

    Frase da vez

    “Os poetas odeiam o ódio e fazem guerra à guerra”
    Pablo Neruda, poeta chileno (1904-1973)

    Foto: Reprodução/Instgram
    Foto: Reprodução/Instgram

     

    Pesquisas sinalizam tendências quando analisadas em sequência. Todas realizadas até agora, mesmo antes das convenções, apontavam Lula líder, seguido de Jair Bolsonaro, que assume a ponta quando Lula sai.

    As de ontem, as primeiras após o atentado da quinta passada, mostram que Bolsonaro ganhou politicamente com o episódio. Na do FSB/BTG Pactual feita sábado e domingo, em pleno calor da repercussão do atentado, ele pulou de 26% para 30%.

    Na mesma pesquisa, Bolsonaro lidera a rejeição com 40%, e Ciro Gomes fica em segundo com 12% tomando o lugar de Marina, que caiu de 13% para 8%. A do Datafolha, também feita no fim de semana, registra tendências similares. Bolsonaro subiu de 22% para 24%, mas com rejeição de 43%; Ciro Gomes de 10% para 13%; Marina caiu de 16% para 11%; e Haddad de 4% para 9%. Em ambas Alckmin está estacionado, entre 8% e 10%.

    Ressalte-se que Bolsonaro, segundo o Ibope, perde segundo turno para quase todos. Só ganha para Haddad, por um ponto, o que é empate.

    De notável, três sinais: o crescimento de Bolsonaro, ainda que leve, indica que ele consolidou o seu patamar; Ciro Gomes ganha com a saída de Lula; mas Fernando Haddad, o virtual substituto de Lula, vem subindo.

    Até agora, o duelo entre petistas e tucanos que marcou as eleições nos últimos 25 anos, está fora de cena.

    As próximas pesquisas serão determinantes para indicar tendências. Bolsonaro vai crescer mais? E Haddad vai passar Ciro? E Alckmin vai crescer ou não? Só faltam 26 dias para as eleições.

    Jutahy vê o cenário embolado

    Na avaliação do deputado federal Jutahy Júnior (PSDB), candidato ao Senado na chapa de Zé Ronaldo, o atentado contra Bolsonaro criou um cenário de imprevisibilidade total no jogo político de 2018, com um quadro a 26 dias das eleições que ele julga ‘gravíssimo’.

    — O líder nas pesquisas (Lula) está preso e inelegível. O vice líder que se torna líder quando Lula sai sofre um atentado. E alguém sabe qual é a consequência? Temos que esperar mais uns 15 dias, já na boca das eleições, para termos uma ideia.

    Jutahy diz que o atentado contra Bolsonaro atingiu a próprio democracia:

    — Política se faz é com conversa, diálogo. Não podemos caminhar com o ódio.