Bolsonaro: o atentado garante a mídia que faltava, e por tabela ele no 2º turno

    Ele enxota os políticos, e nisso colhe simpatias no povo, mas tem a recíproca no mesmo quilate entre lideranças

    Frase da vez

    “A liberdade é defendida com discursos e atacada com metralhadoras”

    Carlos Drummond de Andrade, poeta brasileiro (1902-1987)

    Foto: Reprodução/Instgram
    Foto: Reprodução/Instgram

     

    A não ser que outro fato bombástico aconteça, as facadas consagraram Bolsonaro como a bola da vez, para gostar ou se preocupar.

    O horário eleitoral evaporou diante da intensa repercussão do atentado, no calor de uma campanha federal persistentemente pulverizada. E sem dar sinais de que alguém possa emergir como o grande catalisador.

    Bolsonaro não será. Ele enxota os políticos, e nisso colhe simpatias no povo, mas tem a recíproca no mesmo quilate entre lideranças.

    Mas tem um detalhe: num país em que a sensação coletiva é a de que a única coisa que cresce a olho nú é a violência, ele disparou a pregação de que violência se combate com violência, na bala e o papo colou numa fatia da população, essa que lhes garante os inquebrantáveis 22%, agora já 30%, segundo a pesquisa divulgada pela FSB/BTG Pactual.

    Ora, um atentado do qual ele foi vítima é sopa no mel para a bancada da bala. Estamos a 27 dias das eleições e Bolsonaro, que só tinha as redes sociais, ganhou a mídia, até a internacional.

    Óbvio que ele vai pautar a campanha sem sair da cama. Já tinha cogitado a não mais ir a debates, depois refluiu, agora tem um motivo justo, a saúde. E se carimba como o herói à lá velho oeste, o cowboy salvador.

    Em miúdos, o pior que pode acontecer a Bolsonaro agora é ele não ficar no percentual que está. Ou o melhor, ganhar alguma coisa embalado pelo coitadinho. Mas politicamente, só teve a ganhar.

    O foco de 2018 mudou. Agora é o que fazer para evitar que Bolsonaro chegue lá e esperar para ver quem ponga na onda.

    Na Bahia

    Com o Lula de Rui Costa na cadeia e o Geraldo Alckmin de Zé Ronaldo emperrado nas pesquisas, quem ganha com o atentado a Bolsonaro na peleja estadual?

    De saída, o pessoal de Zé Ronaldo bateu forte dizendo tratar-se de ‘um atentado a democracia’. Rui Costa fez um apelo ‘por uma democracia de paz’, mas de modo geral, a esquerda, por onde transitava Adélio Bispo de Oliveira, o autor do atentado, foi mais comedida.

    Se vai produzir resultados sabe-se lá, mas o pessoal de Ronaldo começa a tentar, e vai fazer isso até a exaustão, colar o caso com o PT na esperança de que, por tabela, pegue em Rui.

    Até agora, Lula preso só ajuda Rui, na avaliação petista. Vamos ver Bolsonaro esfaqueado.