Relatório de Neto sugere que o metrô sem buzu vai andar vazio

    Segundo os dados, das 515 linhas de ônibus, 249 estão integradas ao metrô, o que corresponde a 48,3%.

    Frase da vez

    “Cada novo conhecimento que se faz produz desagregação e nova integração.”
    Hugo von Hofmannsthal, escritor austríaco (1874-1929)

    Foto: Raul Spinassé
    Foto: Raul Spinassé

     

    A Prefeitura de Salvador vai apresentar ao Ministério Público dia 11, quando haverá nova rodada de negociações na tentativa de forjar um acordo para a integração tarifária do sistema de ônibus com o metrô, um completo relatório sobre o fluxo cotidiano do buzu nos quatro cantos da cidade.

    O relatório revela números sobre o comportamento dos passageiros que utilizam o buzu. Das 515 linhas de ônibus, 249 estão integradas ao metrô, o que corresponde a 48,3%. Isso corresponde a 850 veículos que transportaram, em média, 9,9 milhões de passageiros por mês entre janeiro e abril deste ano, o equivalente a 32,2% de passageiros transportados. Com isso, rebate o argumento do governo de que a prefeitura só dispõe da integração para 6%.

    O problema está na quantidade de pessoas que optam por usar o metrô, no mesmo período, de pouco mais de um milhão de pessoas, ou seja, apenas 10,2% do total de passageiros que viajaram nas 249 linhas e 850 ônibus integrados. O secretário Fábio Mota (Mobilidade) diz que o problema não é deles:

    — A prefeitura faz a integração de linhas, e não de pessoas. Não podemos obrigar as pessoas a andarem de metrô.

    A prefeitura sustenta a proposta de dividir a tarifa meio a meio com o metrô, o que o governo rejeita, porque vai aumentar a participação do Estado naquilo que faltar para a CCR, como dita o contrato. Fábio Mota diz que a ideia do governo de licitar linhas exclusivas para o metrô está fadada a não funcionar:

    — São linhas de no máximo 2,5 km. Apenas 2% das pessoas que usam o ônibus moram próximos aos trilhos. Noventa e oito por cento ficariam fora.

    Em síntese, a situação posta, do ponto de vista da prefeitura, é essa aí: integrar. A questão é como.

    Rui diz que a raiz do problema está no fato de Neto ter cobrado pelas linhas de ônibus urbanos, algo que não existe no país.