‘Michel pode ficar com a bunda na janela’, diz deputado em grampo

    Polícia Federal interceptou conversa entre o deputado Beto Mansur (PRB-SP) e o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), o "homem da mala"

    Foto: Câmara dos Deputados

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    Em conversa telefônica interceptada pela Polícia Federal na Operação Patmos, o deputado Beto Mansur (PRB-SP) afirmou ao ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) que o presidente Michel Temer poderia “ficar com a bunda na janela”.

    De acordo com o Estadão, o diálogo foi gravado no último dia 9 de maio, nove dias antes de a Patmos ser deflagrada, e era relativo ao Pré-93, projeto que autoriza a renovação de contratos de arrendamento no porto de Santos por mais 35 anos.

    O assunto foi objeto das perguntas feitas pela PF a Temer em inquérito que o investiga por suspeita de corrupção passiva, obstrução de justiça e organização criminosa.

    “Eu havia dito a ele [Temer] na semana passada que este era um bom momento para pacificar essa matéria, que está numa espécie de limbo jurídico. Acho ruim o governo não aproveitar a oportunidade pra fazer… ontem fiz uma reunião com a equipe lá do ministro Padilha. Falei com Gustavo Rocha [subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil] também. É acho que agora ehh… realmente é a hora. Seria a hora é… de levar a tese jurídica que sustenta. Não há … não há nenhuma ilegalidade”, diz Rocha Loures, atualmente preso.

    Ex-assessor de Temer, ele foi filmado com uma mala que continha R$ 500 mil, entregue por Ricardo Saud, um dos executivos da JBS.

    “É! Mas eles estão preocupados que o Michel pode ficar …. com a bunda na janela, alguma coisa”, responde Mansur.

    Procurado, o parlamentar do PRB disse que usou um “termo chulo” na conversa, mas negou qualquer irregularidade.

    “Eu sempre defendi que o governo resolvesse o Pré-93, mas o que eu fiz? Eu conversei com o Gustavo, da assessoria jurídica, viajei com Moreira Franco, na minha frente estava a Cristiane estava ajudando o Gustavo nesse decreto. Eles me falaram: ‘Beto, esquece porque nós não vamos mexer com Pré-93, porque o presidente pode ter uma improbidade administrativa’. Para mexer com isso tem que ser projeto de lei ou medida provisória”, declarou Mansur.